Novembro 12, 2008...12:00 PM

Pausa forçada e regresso

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Os caminhos da informática são insondáveis e por obra e graça de um qualquer pirata do spam, ou de uma queixa quanto ao conteúdo do blog (nunca cheguei a perceber metade do que me diziam no mail e no aviso) o Cadeirão Voltaire foi bloqueado e sujeito à decisão do blogger relativamente à sua continuidade. Eu, que nada percebo dos caminhos insondáveis da informática, limitei-me a fazer tudo o que o blogger me mandou e a esperar. E esperei. Passaram-se os dois dias que o blogger tinha dito que seriam necessários para resolver o problema. E depois passaram mais cinco ou seis sobre esses dois. O problema continuou por resolver, os meus e-mails para o blogger não tiveram qualquer resposta e as queixas que enviei via questionários do próprio blogger idem. Uma semana depois do bloqueio, tudo continuava na mesma e eu decidi mudar de casa. Estava reticente, porque percebo quase nada de informática, html, ferramentas e etc. Mas o WordPress, cujo design limpinho já me agradava, revelou-se uma óptima escolha; todos os menus parecem ter sido feitos a pensar nos inábeis tecnológicos como eu e a única pergunta que tive de dirigir ao fórum para esclarecimento de uma dúvida foi prontamente respondida. Rendi-me, por isso, ao WordPress e só posso recomendá-lo a quem quiser mudar de ares ou fugir de bloqueios aleatórios e pouco dialogantes.
Quanto ao antigo Cadeirão Voltaire, não sei se o blogger o vai manter bloqueado eternamente, se vai apagá-lo ou se vai permitir-me aceder à sua edição dentro de alguns dias. Para precaver qualquer situação, vou seleccionar os textos que me parecem mais relevantes dessa primeira versão e colocá-los na página ‘O primeiro Cadeirão’, ali em cima.

Entretanto, ficam os meus agradecimentos aos bloggers que ajudaram a divulgar a comunidade de leitores de BD que estou a orientar na Bedeteca de Lisboa (que não divulguei a tempo porque tinha o blog bloqueado): Pedro Vieira, Carla Maia de Almeida, Luís Filipe Cristóvão, Rogério Nuno Costa e Blogtailors. E se estiver a esquecer-me de alguém, não hesitem e reclamem

Ficam também os meus agradecimentos à Sílvia, que já tinha feito o cabeçalho da versão anterior, e que agora compôs o novo, incorporando-lhe as minhas estantes.

Com toda esta saga do bloqueio, tive de abdicar de uma série de posts nos últimos dias, nomeadamente aquele em que divulgaria uma carta de protesto relativamente à Porto Editora e o respectivo esclarecimento desta (que podem conhecer, se não conheceram já, aqui), aquele em que acompanhava a divulgação da primeira ‘long list’ dos Prémios de Edição Ler/Booktailors (que agora já divulgou umas quantas listas), aquele em que falava sobre o afastamento de Joana Morais Varela da Colóquio Letras, e do possível fim da própria revista (tema sobre o qual podem ler aqui, se é que não leram já, e continuar a acompanhar aqui), e aquele em que anunciava uma série de novidades editoriais, entretanto já nas livrarias. E ainda um post destinado à secção ‘Fora dos Livros’, onde falaria sobre Obama. Esse deixo ficar, claro, bem como um outro que escrevi quando não podia publicar.

OBAMA

Não sei se Obama fará tudo o que disse que faria e o bom senso aconselha uma certa desconfiança. Não sei se a economia vai recuperar, se a paz vai espalhar-se um pouco mais pelo mundo ou se os recursos de que dispomos serão melhor geridos. Mas ao assistir ao discurso de vitória do próximo presidente dos EUA, assim como às reacções um pouco por toda a parte, sei que nunca me tinha emocionado tanto com umas eleições como com estas. E não apenas por Obama ser o primeiro presidente negro dos EUA, mas também pelo discurso de mudança que construiu e soube espalhar e do qual a cor da pele, indirectamente, também faz parte – não porque um negro fale de mudança de modo diferente de qualquer outra pessoa, mas porque, até agora, um negro não teria espaço nem lugar para o fazer enquanto candidato à presidência dos EUA.
Se as pessoas civilizadas não distinguem as outras pela cor (para o mal ou para o bem), o mundo em que tentamos ser pessoas civilizadas não pensa da mesma forma e a história que guardamos, ou devíamos guardar, na memória assim o confirma. É por isso que ver um negro à frente dos EUA se torna um momento histórico, e emocionante, e abre as portas a um futuro em que a cor da pele do habitante da Casa Branca será, assim o espero, irrelevante. Mas para lá chegarmos, uma barreira tinha de ser quebrada e Obama assim o fez. Assistir a esse momento, numa altura que parece pouco dada a mudanças, resgata uma certa esperança de ainda participar em alguma coisa capaz de deixar como herança um mundo mais justo.
Fossem os editores de banda desenhada em Portugal mais arrojados e aconselharia a leitura deste livro como forma de celebração do momento:

stuckrubber

Stuck Rubber Baby, de Howard Cruse

O CADEIRÃO EM CATIVEIRO

Passou-se uma semana e os senhores do blogger, que juraram resolver o problema em dois ‘business days’, mantêm o meu blog refém da sua vontade. Apesar da minha escassa habilidade informática, começo a pensar seriamente em mudar o estamine para outra plataforma, talvez o wordpress. Nenhuma mossa para o blogger, claro, mas talvez um pouco mais de paz para mim.
Entretanto, José Saramago lançou o seu novo romance, o Goncourt foi atribuído a Atiq Rahimi, a Antígona editou Os Ventos e Outras Histórias, de Eudora Welty, e a Gradiva prepara-se para editar O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza, que eu ando a ler em PDF (o que me poupa de ver a capa, que é bem feia) enquanto penso nas coisas boas que a tecnologia permite…

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