Três perguntas, nada imparciais, do Cadeirão Voltaire a Luís Oliveira, editor da Antígona:
Uma editora que assume que o critério para a escolha dos seus autores passa por observar, primeiro, se eles ‘mijam fora do penico’, deve ter algumas dificuldades na escolha dos autores. Ou há mais gente a mijar fora do penico do que se quer supor?
Não há muita gente a mijar fora do penico, mas eu especializei-me como
pescador…
Quando a Antígona começou a publicar, o panorama editorial e livreiro deste pais era bastante diferente. Como é que se foram adaptando às mudanças? (Ou seria melhor perguntar ‘como é que foram ignorando as mudanças e mantendo a vossa linha sem abalos’?)
Ignorámos quase sempre as mudanças e mantivemos a nossa paixão inicial pelos textos subversivos. Ao fim de trinta anos, estamos vivos e vamos continuar a empurrar as palavras contra a ordem dominante do mundo.
Uma vez perguntei-lhe sobre a vossa perspectiva relativamente à tão falada crise e a resposta incluía qualquer coisa como ‘cá estaremos para lhe fazer um manguito’. Como é que uma editora pequena, que não embarca na inundação do mercado com catadupas de títulos anualmente, que não publica romances de famosos e sem meios financeiros para comprar escaparates, montras e outros espaços do nosso descontentamento, consegue sobreviver, comemorar 30 anos e continuar por cá para contar como é?
O nosso capital social, «Enquanto existir dinheiro, nunca haverá bastante para todos», permite-nos sobreviver, adaptando o capital variável a todas as situações de crise.
A Antígona editora conta com inúmeros leitores que se interessam pelos seus títulos, tendo conquistado uma «minoria absoluta» que a suporta.
3 Comentários
Junho 30, 2009 ás 1:14 am
Essa questão de mijar fora do penico é bem observada e tem que se lhe diga. Primeiro, por uma questão biológica, quem mija do alto está mais vulnerável ao desvio. Mas mais vale falhar a pontaria do que ter de se pôr de cócoras, para não mijar por fora.
Dou por certo que mijar por fora é uma demonstração de irreverência, um acto de rebeldia e não um descuido. Tal como fará Luís, como editor. Assim eu, que entro neste blogue pela primeira vez, entendo a posição da Antigona, integrada na tal minoria absoluta e fora da maioria, que é acéfala.
Junho 30, 2009 ás 8:09 am
[...] 30 anos são os da Antígona. As três perguntas são da Sara Figueiredo Costa, dirigidas a Luís Oliveira, o editor da Antígona, sobre (justamente) os 30 anos da [...]
Junho 30, 2009 ás 10:54 am
Bem vinda, Alice.
Sim, é tudo isso, e ainda a referência literal ao que a Antígona diz no seu site sobre o modo como escolhe os autores. É uma frase que, como costuma dizer-se, é todo um programa.
Cumprimentos,
Sara