A Loja do Cidadão suga-nos a vida, constatei hoje, ao longo de cinco horas e meia de espera por um papel que me foi passado em menos de cinco minutos. Ao fim de uma hora percebemos que vamos perder o dia, ao fim de duas começamos a ventilar e passadas as três, inicia-se uma sensação crescente de compreensão relativamente às pessoas que perdem o juízo nos serviços públicos e se barricam numa qualquer casa de banho, reclamando o direito a um atendimento mais célere. Cinco horas e meia de espera para obter um papelinho que diz que não tenho registo criminal, e que me permitirá aceitar um trabalho honesto, pelo qual descontarei devidamente para os impostos. Impostos esses que também deveriam assegurar que os serviços do Ministério da Justiça não deixam cidadãos à espera durante cinco horas e meia, ainda por cima num espaço sem outra luz natural que não a da porta, com um número de cadeiras manifestamente insuficiente para as pessoas que por lá passam diariamente. Claro, antes de pedir o Livro de Reclamações, tive tempo de ler mais de metade de um outro livro, mas isso não me fez sentir menos gozada pelo Estado ao qual pertenço nem menos desesperada por ter perdido quase um dia de trabalho. A Loja do Cidadão suga-nos mesmo a vida, e ainda por cima dá cabo da produtividade que os governantes tanto apregoam. Curiosamente, não vi um único ministro, um único deputado, nas várias filas, de senha na mão. Frequentarão o espaço?
O que é mais grave é que duvido que um ministro tenha de entregar o registo criminal para tomar posse…