A tecnologia, por vezes, engana o utilizador incauto. Arrumando algumas coisas no blog, descobri um post que ficou em rascunho há mais de um ano. Era a segunda das Notas de Praga e, como não consigo colocá-la na cronologia correcta, deixo-a aqui para que não se perca (e confirmo que é por coisas destas, mas não só, que é bom escrever à mão; no meu caderno dessa altura, lá está o texto, sem hipótese de desaparição misteriosa):
Na Rua Karlova, o alfarrabista que merecera tantos elogios do autor do guia American Express já não existe. No seu lugar encontra-se agora uma ourivesaria ampla e luxuosa, mas o brilho dos ouros não me causa qualquer faísca no olhar e acabo por deixar a rua com o pensamento ancorado nas longas filas de livros que ali moraram um dia.
Noutros pontos da cidade, como a Nerudova ou a zona de Kampa, encontro alguns alfarrabistas, mas a promessa agora impossível de cumprir do paraíso anunciado da Karlova ficou definitivamente fora do meu alcance e é como se a cidade que visito tivesse perdido para sempre uma parte vital da sua essência.