Assim não há livraria que aguente

Vale a pena ler o texto assinado por Isabel Castanheira, que há bem pouco tempo teve de fechar as portas da Livraria 107, nas Caldas da Rainha, e pensar um bocadinho nas consequências das feiras do livro-cogumelo, que aparecem em cantos e recantos das cidades, com preços impossíveis de garantir nas livrarias e tantas vezes criadas pelas mesmas entidades que hão-de lamentar, não tarda nada, que essas livrarias tenham tido de fechar as portas.

2 Comentários

Filed under Editores, Feiras e Festivais, Livrarias

2 Respostas a Assim não há livraria que aguente

  1. ALGUEM QUE LHES ARRANJE UMA CONSCIÊNCIA

    Cara Amiga

    Compreendemos bem o seu desabafo e gostaríamos de manifestar toda a admiração que temos pelo que foi a sua luta. Na Galileu nunca ninguém esquecerá “ a Padeira de Aljubarrota” alcunha que lhe foi dada por muitos vendedores que a visitavam.
    Nós próprios “ GALILEU” estamos numa situação muito difícil. Em Janeiro teremos que repensar toda a nossa actividade, fomos no entanto bafejados pela sorte, temos uma Câmara digna que fará estou certa tudo o que for preciso para nos ajudar. Sempre são 40 anos ao serviço dos Munícipes.
    Mas percebemos que muitos livreiros pelo País fora (tenho viajado cá dentro) enfrentarão grandes dificuldades!
    Que grande ironia…Quando um Presidente da Republica apela todos os dias na comunicação social :
    Á contenção de gastos (Nós percebemos porquê)
    À poupança ( os nossos bancos bem precisam)
    E a comprar Nacional…
    Temos Municípios a encher jardins públicos de comércio que por sua vez
    Incitam á compra de um produto Alemão!
    É o pais do absurdo.
    Tenho pena que não tenha tido saúde para continuar a lutar, pois acredito que estamos numa época de mudança.
    O comerciante Português foi imortalizado pelo Hergé na personagem de Oliveira Da Figueira capaz de vender guarda chuvas no deserto. Foi o que a Galileu sempre fez.
    Temos que manter a esperança
    Um grande abraço, sabemos sentir a sua dor.
    A Família Galileu

    FRANCISCO! Regular não custa dinheiro.

  2. MiC

    A Sra Isabel anda equivocada. Lamento, por ela, e por todos os livreiros por quem muito estimo. O mal dela (deles) não são essa feirinhas da treta (de outro pequenino como eles), porque quem consome literatura essas feiras são, não apenas esporádicas, mas essencialmente carregadas de livros sem especial interesse. Livros demasiado datados. (reconheço ainda assim que podem causar um pequeno conflicto, mas momentâneo, do período da sua existência, nada que por si só leve à ruína de uma livraria.) E prova de não ser nenhuma mina, o Porto (que a cada dia tem menos), este ano também não teve nenhuma dessas feiras…

    Maior problema são as grandes cadeias como Fnac e Wook (essencialmente Fnac) que durante um ano inteiro têm preços ridiculamente mais acessíveis (mas em todo caso mais acessíveis), um marketing desenvolvido, uma agenda cultural, uma outra liberdade de estar na loja e óptimas localizações geográficas… Subtis diferenças mas que resultam numa fidelidade desmesurada, em que encontramos como exemplo paradigmático desse contraste do pequeno versus o grande livreiro (se é que são livreiros na fnac?); a livraria latina (do Porto) habitualmente desértica (a cada dia mais) e a Fnac a 150 metros, asfixiando nuns 45º graus centígrados e apinhada de gente.

    A solução para “salvação” das pequenas livrarias passará por um regime de preços fixos dos livros (como no Reino Unido), enquanto os Ebooks não se afirmam em Portugal…

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