Os balanços são um bocadinho como as cuecas azuis, parece que não podemos acabar um ano e começar outro sem eles. A poucas horas de acabar 2011, não sei se fará sentido fazer mais um. Os suplementos culturais já os fizeram, as revistas igualmente, eu própria já entreguei as minhas escolhas do ano a duas das revistas para onde escrevo e não sei se quero encher este blog com as notas que tenho aqui, num belo caderninho de capa preta onde fui anotando o que li ao longo de 2011.
Fiquemo-nos com isto: de 2011, e sem recorrer à batota do caderninho, guardo boa memória de uma série de livros novos. São eles:
Dubravka Ugrešić, O Museu da Rendição Incondicional, Cavalo de Ferro
Dulce Maria Cardoso, O Retorno, Tinta da China
Allan Hollinghurst, O Filho do Desconhecido, D. Quixote
Leonardo Padura, O Homem Que Gostava de Cães, Porto Editora
Manuel Jorge Marmelo, Uma Mentira Mil Vezes Repetida, Quetzal
Bernard Quiriny, Contos Carnívoros, Ahab
Teolinda Gersão, A Cidade de Ulisses, Sextante
João Paulo Cuenca, O Único Final Feliz Para Uma História de Amor É Um Acidente, Caminho
Enrique Vila-Matas, Dublinesca, Teorema
Gonçalo M. Tavares, Canções Mexicanas, Relógio d’Água
Golgona Anghel, Vim Porque Me Pagavam, Mariposa Azual
Vítor Nogueira, Modo Fácil de Copiar Uma Cidade, & etc
Kazumi Yumoto e Komako Sakai, O Urso e o Gato Selvagem, Bruaá
Isabel Minhós Martins e Paula Rêgo, Oinc!, Orfeu Negro/ Fundação Paula Rêgo
Herta Muller, O Rei Faz Vénia e Mata, Texto
Silva Designers, Victor Palla, INCM
William Bee, Grande Coisa, Planeta Tangerina
João Pedro George, Puta Que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco, Tinta da China
Rubens Borba de Moraes, O Bibliófilo Aprendiz, Letra Livre
Marie-Pierre Moine e Jeff Cox, Ervas Aromáticas na Cozinha, Civilização
VVAA, Boring Europa, Chili Com Carne
António Mega Ferreira, Macedo (Uma biografia da infâmia), Sextante
Shaun Tan, Emigrantes, Kalandraka
Patti Smith, Apenas Miúdos, Quetzal
Tamayo Marín, A Tempo Inteiro, Assírio & Alvim
Depois há os livros que, não sendo novos, foram editados em português pela primeira vez ou reeditados depois de muito tempo desaparecidos das livrarias. Aqui, o cenário também foi bom. Uma vez mais sem a batota do caderninho, lembro-me que tivemos (e em boa hora):
Thomas Mann, Os Buddenbrook, D. Quixote
Henry Roth, Uma Espécie de Sono, Ulisseia
Vassílli Grossman, Vida e Destino, D. Quixote
Josep Pla, Viagem de Autocarro, Tinta da China
Henry Miller, O Colosso de Maroussi, Tinta da China
Bohumil Hrabal, Terno Bárbaro, Teodolito
Heinrich Böll, Bilhar às Nove e Meia, Ulisseia
Andrei Platónov, A Escavação, Antígona
Assim de repente, é disto que me lembro. E olhando para a lista, não foi um mau ano editorial. Claro, saíram outras coisas excelentes, mas que eu não li ou não conheço, e li coisas muito boas que não foram publicadas este ano. Isso também conta na hora de ‘balançar’? Deveria. Mas essa parte vai, definitivamente, ficar guardada no tal caderninho, ou nunca mais saímos daqui e eu tenho uma massa de pão com azeitonas para pôr a levedar. Juro que sim e aproveito a desculpa para desejar aos leitores do Cadeirão Voltaire um excelente 2012.





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