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Leituras: “Perdi o meu apelido”

O texto de Jaime Bulhosa, no blog da Livraria Pó dos Livros, é de leitura obrigatória, não só porque presta um esclarecimento importante, do qual nem toda a gente teria conhecimento (em resumo, a Bulhosa já não é dos Bulhosa há muito tempo, e sim do Grupo Civilização, responsável pelos atrasos no pagamento dos salários dos trabalhadores das livrarias e pela recente ‘suspensão’ de um trabalhador que ousou falar do caso para a SIC), mas igualmente porque coloca algumas questões pertinentes sobre o mercado livreiro e o seu funcionamento. É para ler aqui.

Um pequeno excerto:

É verdade que os tempos que correm são outros. Vivemos uma crise económica grave e cabe a cada um de nós lutar, responsavelmente, pelo posto de trabalho. É evidente que as empresas, enquanto esta crise se mantiver, não se podem dar ao luxo de pagar como nós pagávamos. Mas também é verdade que uma empresa que se esquece que o seu maior capital são as pessoas, arrisca-se a que as coisas não corram bem. Tenho dificuldade em entender como é que uma empresa que sempre declarou lucro, com pessoal formado e nome consolidado no mercado chegue, em apenas oito anos, a uma situação destas. Provavelmente haverá razões que desconheço. Quem tem o mínimo de princípios deve pagar as suas dívidas, de uma maneira ou de outra, isto é, com dinheiro ou sem dinheiro. De qualquer das formas estou solidário com os funcionários da Bulhosa e esperançado em que os actuais proprietários consigam resolver a situação.

Trabalhadores da Bulhosa à espera dos salários

Os recibos de vencimento foram entregues no dia 27 de Setembro, mas os ordenados ainda não foram pagos (pelo menos até ontem, dia 21 de Outubro). Os trabalhadores das livrarias Bulhosa criaram, entretanto, um grupo no Facebook para denunciarem a sua situação. A primeira entrada é esta:

“A péssima gestão que é feita pela administração das livrarias Bulhosa leva a que os seus funcionários tenham constantemente os ordenados em atraso.
Esta situação dura há mais de dois anos e tem-se vindo a agravar de mês para mês.
De acordo com o contrato colectivo de trabalho da APEL os ordenados devem ser pagos até ao último dia útil do mês trabalhado. Mas neste momento, passados 20 dias, os ordenados ainda não caíram.
Enquanto isso os escritórios foram transferidos para o Lx Factory, para um espaço totalmente remodelado, foi construído um auditório na livraria de Entrecampos e a administração desloca-se em Audis todas as semanas entre o Porto e Lisboa.”

ADENDA: Relativamente a esta questão, impõe-se um esclarecimento, na medida em que muita gente não sabe que as Livrarias Bulhosa já não pertencem à família com o mesmo nome. Jaime Bulhosa, um dos sócios da Livraria Pó dos Livros (e um dos fundadores da Bulhosa, mas neste momento sem nenhuma relação com a cadeia livreira), solidariza-se com os trabalhadores que ainda não viram os seus ordenados pagos.

Livros para crianças?

Não acreditando em ‘livros para crianças’, e talvez por isso mesmo, na próxima quinta-feira vou moderar uma conversa sobre esse tema tão espinhoso com a participação de Andreia Brites e Carla Maia de Almeida. O encontro está marcado para as 18h30, na Bulhosa de Campo de Ourique (e ali perto há O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo e a Padaria Portuguesa, só para saberem…).

Clubes de Leitores

No mês de Maio, o Clube de Leitores da Bulhosa propõe três livros para discussão. Amanhã, às 21h00, na Bulhosa de Oeiras, discute-se Vozes d0 Vento (Sextante), de Maria Isabel Barreno, sob a orientação de Anabela Mota Ribeiro. No dia 20 de Maio, também às 21h00, na Bulhosa de Linda-a-Velha, Ana Paula Reis modera a discussão sobre O Segredo de Leonardo Volpi, de Fernando Pinto do Amaral (Dom Quixote). E no dia 27, às 18h30, a Bulhosa de Entrecampos recebe a discussão sobre Teatro de Sombras, de António Pinto da França (Prefácio Editora), com moderação de Ana Paula Reis. Em todas as sessões, está prevista apresença dos respectivos autores. A participação é gratuita.

Na Livrododia, em Torres Vedras, a primeira sessão do Clube de Leitores gulosos reúne no dia 29 de Maio, às 21h30, sob o lema ‘Trincar a madalena’. A inscrição custa 5.00 euros, mas dá direito a comes e bebes.

E, já agora, o Clube de Leitores da Bedeteca de Lisboa reúne no próximo sábado, às 16h30. Em discussão, moderada por mim própria, estarão dois livros de Will Eisner: Fagin, o Judeu e A Conspiração (Gradiva). Para além desta, ainda restam duas sessões para o fim da ‘temporada’ e a entrada é livre.