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Leituras: “Novos rostos, novas vozes para outra poesia portuguesa”

Para ler em papel, no Diário de Notícias, ou no e-paper, para quem se atinar com isso, um texto de Joana Emídio Marques sobre cinco vozes da poesia portuguesa (no feminino): Filipa Leal, Margarida Vale de Gato, Inês Fonseca Santos, Margarida Ferra, Rosalina Marshall e Raquel Nobre Guerra.

O dom da ubiquidade

Mais logo, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, Ana Luísa Amaral lança o seu mais recente livro, Vozes (D. Quixote). A apresentação será feita por Eduardo Lourenço e haverá leitura de poemas por Filipe Leal, Luís Lucas e a própria autora.

À mesma hora, mas na Ler Devagar da Pensão Amor (Cais do Sodré), Helena Vasconcelos lança Humilhação e Glória (Quetzal), com apresentação de Irene Flunser Pimentel e Julião Sarmento.

LeV 2011: quarta mesa

Filipa Leal, João Tordo, Laurent Binet, Luís Sepúlveda e Miguel Miranda, moderados por Carlos da Veiga Ferreira, debatem o tema “Da ficção à realidade”.

São as palavras de Manoel de Barros que abrem a intervenção de Filipa Melo, que confessa não gostar da realidade, a não ser pelo potencial de ficção que ela guarda. E para o ilustrar, conta os vários episódios que viveu enquanto estudava jornalismo em Londres e os professores a mandavam refazer os textos porque “aquilo não era jornalismo, era literatura”.

Laurent Binet contraria, de certo modo, a ideia lançada pelo moderador no início do debate, quando afirmou que a ficção e realidade não se distinguiam. Para Binet, importa distinguir ambas, porque s posição do esteta, segundo a classifica, não nos dá resposta a perguntas fundamentais: “se não pudermos distinguir a ficção e a realidade, o que é que fazemos de Auschwitz?”

João Tordo confessa que os livros que escreve têm tanto de ficção como de realidade, e que frequentemente se coloca a si próprio (e a vários familiares e amigos) por entre o enredo. E depois repete a história que só os espectadores do Ah, a Literatura, programa do Canal Q, conhecem, a história de como começou a escrever por vingança, depois de uma rapariga por quem estava apaixonado ter rasgado um poema que João Tordo lhe ofereceu. A humilhação, que aconteceu quando o autor tinha doze anos, foi superada há pouco tempo, quando Tordo reencontrou a rapariga trabalhando numa caixa do Continente, facto que, ainda que nada o mova contra as pessoas que trabalham em caixas do Continente, o deixou sadicamente satisfeito.E por entre um discurso que se aproxima perigosamente do torrencial, Tordo fala do modo como escrever obriga a olhar para aquilo a que se chama realidade com um filtro muito peculiar. Pelo meio, ouvem-se frases que são boas candidatas a tema de conversa para o jantar, tais como “A realidade não tem sentido, nem sequer beleza”, ou “quem inventou a catatua não estava bom da cabeça”.

O texto que Miguel Miranda lê merecia citação integral, mas vale a pena destacar o modo como desmonta a ideia romântica de que as viagens se fazem pelos livros e, igualmente, a anedota das cabras que encontram umas velhas bobines abandonadas e começam a fazer aquilo que quaisquer cabras fariam perante tal material, ou seja, comem-nas. E quando estão nesse processo, uma pergunta à outra se está a gostar, e a outra responde que sim, mas que gostou mais do livro. Sobre a realidade, diz que parece ser apenas uma espécie de memória colectiva daquilo que teá acontecido, e para o justificar lembra o modo como, na narrativa historiográfica portuguesa, os nossos compatriotas terão enchido de pancada nuestros hermanos, enquanto que na historiografia espanhola se passou exactamente o oposto. Entre as duas versões, sobra exactamente o que sempre sobra quando se discute o tema, ou seja, nada que confirme fronteiras definidas entre realidade e ficção.

Luís Sepúlveda pensava que tinha resolvido o velho problema entre a realidade e a ficção há muito tempo, mas percebeu que ou a realidade invadiu a ficção ou o inverso, e de um modo indistinguível. E recomenda que se passe pelo Google, procurando ‘Fernando II, o Sábio’, e descobrindo que “nasceu no Escorial quando a sua mãe estava na Áustria”. Ou que se medite um pouco no Decreto-Lei de um ministro chileno que decretou que, a partir de agora, o Chile tem oito meses de Verão e quatro de Inverno. Perante estes dois exemplos, não sobra muito do tema escolhido para a mesa desta tarde.