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Poesia Incompleta de portas fechadas

As más notícias não querem parar de chegar: agora foi a vez de a Poesia Incompleta fechar as portas. A notícia vem no Público, onde se lê, entre outras coisas, isto:

“Está a respirar-se mal neste país. Este país não é para velhos, nem para novos, nem para os do meio. Estou a pensar emigrar, como sugeriu um ministro qualquer”, afirma ao PÚBLICO [Mário Guerra], num tom irónico que o leva a dizer que vai “doar” os volumes de poesia que sobraram na livraria ao ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.”


(fotografia retirada daqui)

Changuito e Poesia Incompleta em entrevista

No blog Tantas Páginas há uma entrevista com Changuito, da Poesia Incompleta, que bem podia ser lida por essa internet afora. Está aqui. Fica um excerto, para abrir apetites:

PT. Tem um iPad? E Kindle? Como vê o futuro do livro de poesia em papel num mundo tomado de assalto pela revolução digital e pelo download pirata?

C. Nem um, nem outro. Tive cães e gatos a que podia ter chamado kindle ou ipad, mas agora acho que já vou tarde. Parece-me que os leitores de poesia, como os espectadores de futebol gostam de ir aos estádios, terão sempre prazer em ter um livro, folheá-lo, marcá-lo, emprestá-lo.

Será, parece-me que já o está a ser, uma realidade que alterará o comércio das bestas céleres (para usar um termo de Alexandre O´Neill). O livro passará a ter um trajecto diferente e que pode não passar sequer por livrarias em linha. Pode ir directo de editores a leitores. No entanto, acho que os livros como os de poesia, bem como as livrarias especializadas, sejam elas quais forem, terão vida longa. Mais rapidamente vejo os grandes retalhistas a sofrerem com as livrarias em linha, e a terem de modificar as suas estruturas, do que fechar uma grande livraria de viagens, de livros policiais, de arte ou de poesia. Vejo, por exemplo, o Rui Pedro Lérias, da Loja de História Natural, falar dos livros que vende com uma intimidade que não encontro paralelo em lado nenhum. Ouço qualquer das pessoas que compõem o magnífico trio da Letra Livre e penso que com eles posso ficar a saber alguma coisa do muito que eles sabem. Passa-se o mesmo com o Luís Gomes, da Artes & Letras, um navio ancorado no Largo Trindade Coelho, disfarçado de livraria.

A Nova Poesia Portuguesa

E eis que chega um convite da Poesia Incompleta, que vai apresentar mais uma edição da casa, desta vez um livro de Manuel de Freitas:

A Poesia Incompleta tem o prazer de vos convidar para o lançamento do livro A Nova Poesia Portuguesa, de Manuel de Freitas, no Bar A Barraca, no Teatro Cinearte (Largo de Santos, nº2, Lisboa). A apresentação estará a cargo do poeta Rui Caeiro. É provável que alguma artista de renome internacional leia poemas, que o orador não apresente qualquer teoria em que a intertextualidade se sobreponha ao alegre movimento dos corpos, que o poeta sorria e segrede alguma coisa sobre entradas e saídas de cacilheiros, e que o barman-editor esteja ao balcão, aviando licorosas com o garbo a que já habituou toda uma geração de farristas que se está relativamente nas tintas para o caviar.

É no próximo sábado, pelas 18h30. O convite ainda pede: Por superstições do autor, do apresentador e do barman-editor, agradece-se que os convivas não cantem fados cuja letra não recordem na íntegra, não exibam posters com a foto de Rosa Casaco, não se intimidem excessivamente com a eventual nudez súbita de algum poeta que apareça atrasado, nem façam discursos saudosistas mencionando bombocas, o barco de Chanquete, ou as sobrancelhas de Sousa Veloso.