Ainda os balanços

Na senda do post da Andreia sobre os balanços literários, recomenda-se a leitura do Actual de hoje, onde António Guerreiro assina um texto que, não sendo exactamente um balanço literário de 2007 tal como se esperaria (com as habituais listas de títulos), diz muito sobre as contradições entre as leituras e o ‘mercado’. No fim de um ano agitado pela compra e venda de editoras e pela concentração editorial nas mãos do grupo Paes do Amaral, ano em que talvez se tenha falado mais do tal ‘mercado’ – e de marketing, de comunicação do produto, de estratégias de venda… – do que de livros e leituras, fica uma espécie de aviso: “A concentração da leitura em cada vez menos títulos – e em cada vez menos espécies bibliográficas – , seguindo a par da concentração editorial, é potenciada por uma lógica coerciva da cultura como consumo. A substituição do leitor pelo consumidor, nas estratégias editoriais, levou a uma multiplicação de títulos novos, mas a um empobrecimento da escolha. Mas há sinais de que o sistema editorial e de divulgação se tornou hipertélico, isto é, vai para alem dos seus próprios fins e começa a entrar num processo de saturação. Desta Babel desesperada, hão-de surgir alternativas. O que não é viável é que a esfera pública literária, tanto no plano da edição como no da divulgação e da critica, seja alimentada pela ideia de um público leitor acrítico e sem autonomia. O exemplo das televisões mostra bem quão nefasta é esta ideia.” (António Guerreiro, “A Funesta vertigem”, in ActualExpresso, 29 Dez. 2007)

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