Correntes d’Escritas: Notas da Póvoa I

Antes de qualquer outra coisa, é da mais elementar justiça dizer que as Correntes d’Escritas se apresentam com uma organização verdadeiramente irrepreensível, com um ambiente descontraído e nem por isso menos sério ou interessante e com um modo muito próprio de acolher calorosamente os seus participantes. A organização, elaborada por uma equipa de que Manuela Ribeiro e Francisco Guedes são os responsáveis, é de tal maneira eficaz que é frequente ouvir os portugueses comentando que aquilo ‘nem parece Portugal’ (o que diz tanto sobre a eficiência da coisa como da nossa natural tendência para a auto-comiseração).

Resultados práticos de uma excelente organização e de uma progranação bem pensada e cuidadosamente preparada: auditórios cheios, independentemente da hora e do dia (a sessão de Sábado de manhã esgotou as cadeiras do Auditório Municipal, as escadas e os vários espaços de acesso ao palco), conversas que fluem sem barreiras entre escritores muito ou pouco conhecidos e entre estes e os leitores e uma boa disposição que proporciona o grande trunfo das Correntes – o surgimento constante de histórias que alguém conta e que rapidamente ganham a aura de anedotas que ficarão, necessariamente, para a história do evento (foi frequente ouvir histórias que tinham sido contadas por participantes das edições anteriores, e gente que com essas histórias dialogava, acrescentando-lhes outros fios para um diálogo que parece interminável).

E para as primeiras impressões ficarem completas, faltará referir a comida. Não porque a comida seja o motivo que leva tanta gente à Póvoa do Varzim nestes dias (sem desprimor para os restaurantes que se associaram ao evento, e onde se comeu sempre muito bem), mas porque é à volta da mesa que boa parte das conversas se desenrola, que encontros e reencontros acontecem e que projectos se vão engendrando com o calor que só a partilha dos comensais permite.
Quando percebi que os computadores da Casa da Juventude eram demasiado concorridos e que, por isso, seria quase impossível actualizar o Cadeirão em directo, lamentei não ter levado um portátil. Mas rapidamente percebi que isso me teria mantido reclusa no quarto ou isolada numa mesa do bar sempre que não estivesse a acompanhar as várias sessões do dia, e que essa reclusão poderia ser muito benéfica para a actualização regular deste blog, mas ter-me-ia privado de todas as conversas, (re)encontros e partilhas. E isso, lamento, não compensaria nenhuma das visitas extra que teríamos aqui no estaminé. Assim, reencontrei o Carlos Quiroga e a Teresa Sobral e matei as saudades dos amigos galegos, troquei ideias e dúvidas com o Rui Grácio e a mulher (é horrível dizer isto assim, mas não consigo lembrar-me do nome e não queria deixar de a referir), conheci o trabalho do Michael Kegler e o Luís Filipe Cristóvão, partilhei visões do mundo com a Eugenia Almeida e ouvi as histórias inimagináveis do Ondjaki. Suspeito que uma parte considerável de tudo isso não se tranformará em palavras assim tão facilmente, mas reservarei os próximos dias para me dedicar à tarefa.

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