Eterogémeas na Pó dos Livros

Não são exactamente um segredo bem guardado, como os suplementos jornalísticos gostam de apelidar as descobertas que fazem, mas não se encontram ao virar de cada esquina. Os livros das Eterogémeas sofrem do mesmo mal que muitas pequenas editoras e muitos minúsculos projectos editoriais: o facto de fazerem livros com rigor, de escolherem textos muitas vezes extraordinários e de apresentarem edições que dão vontade de levar para casa assim que se folheiam em nada interessa à maioria dos livreiros, que prescindem de ter os seus livros nos escaparates (porque são ‘pequeninos’, porque as capas ‘não chamam a atenção’, porque o autor ‘não é muito conhecido’ ou porque o formato ‘não fica bem na prateleira’) ou que nem sequer sabem da sua existência. Fora isso, não sofrem de mal algum e recomendam-se. A feliz junção de texto e imagem (ilustração ou fotografia) encontra em cada livro das Eterogémeas o equilíbrio certo para dialogar e manter a respiração de cada elemento. E os autores são muitos, de Alberto Pimenta a valter hugo mãe, passando por Gémeo Luís (o editor), João Pedro Mésseder, Emílio Remelhe, Francisco Duarte Mangas ou Matilde Rosa Araújo.
Quem conhece os livros sabe que, para os comprar, tem de enviar um mail ao Luís Mendonça, avisá-lo dos títulos que pretende e fazer a respectiva transferência bancária antes de receber um pacote pelo correio. Ou, com alguma sorte, encontrar uma banca das Eterogémeas num qualquer festival, de poesia ou ilustração. Ou então entrar numa das poucas livrarias que vendem os livros (todos, e não apenas os ditos ‘infantis’, que se vão encontrando aqui e ali, muito por obra do Prémio Nacional de Ilustração que Gémeo Luís venceu com O Quê, Que, Quem, também editado pela casa). E agora isso já acontece na Pó dos Livros, para felicidade dos leitores lisboetas, que dedicou um expositor inteirinho às Eterogémeas.

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Será preciso mais para se perceber a vantagem de não haver escaparates e expositores vendidos a editoras em sistema rotativo (que é como quem diz, a quem for oferecendo melhor negócio)? Bem sei que vender os espaços nas livrarias traz dinheiro aos livreiros, mas o que quase nunca traz é felicidade ao cliente, que encontra sempre as mesmas coisas em destaque, acreditando que as novidades ou os livros que vale a pena destacar se resumem a isso. O expositor das Eterogémeas não rendeu um tostão à Pó dos Livros, assim o confirmou a gerência (que tem como feliz princípio não vender espaços da livraria), mas rendeu-me a mim a felicidade de encontrar as Eterogémeas no sítio onde gosto de comprar livros, bem como algumas ideias para as prendas de Natal que se avizinham. Não é pouco.

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