Tereza Coelho (1959-2009)

Morreu Tereza Coelho, actualmente responsável editorial da Dom Quixote e uma das presenças mais marcantes, e interessantes, do jornalismo literário português dos últimos anos.

Não sei como se fazem obituários, por isso recomendo a leitura das palavras de Isabel Coutinho, aqui. Mas sei que é um dever dos que ficam guardar as memórias dos que partem. Pela minha parte, recordarei sempre a Tereza pelo que me ensinou durante o tempo em que com ela trabalhei na revista Os Meus Livros, de que era directora, bem como o entusiasmo com que falava dos livros que lia, as histórias que lhe ouvi contar, as correcções que me fez à escrita e o incentivo que sempre me deu para que escrevesse e fosse crescendo com o que escrevia. À Tereza Coelho devo o facto de ter começado a escrever na imprensa e vale a pena contar esta história pelo que ela revela da generosidade, da justeza e do rigor com que a Tereza trabalhava: eu estava a acabar o curso de Línguas e Literaturas e nunca tinha publicado nada na imprensa profissional. Quando apareceu o primeiro número da Os Meus Livros, fiz aquilo que andava a fazer nessa altura com vários jornais, revistas e suplementos, ou seja, imprimi um currículo, juntei alguns textos que tinha publicado na imprensa universitária e no site sobre livros que mantinha com colegas e amigos e enviei tudo ao cuidado da directora da revista, com uma carta que manifestava a minha vontade de escrever sobre livros nas suas páginas. Não esperava receber resposta, porque nunca nenhum director de jornais, revistas e suplementos me havia respondido antes, mas um telefonema da redacção alterou tudo. A Tereza Coelho, que não me conhecia de parte alguma, deu-se ao trabalho de ler a minha carta, o meu currículo e os meus textos, e de me telefonar a sugerir que fosse conversar com ela à redacção. Foi assim que comecei a escrever sobre livros na imprensa e a estima que tenho pela Tereza Coelho deve-se também a essa gratidão que guardarei sempre, não tanto pelo facto de me ter aberto essa porta, mas sobretudo pelo gesto de confiança e por todos os momentos em que conversámos, pelo muito que me ensinou e pela atitude que transmitia, sendo rigorosa e exigindo rigor sem com isso deixar de tomar atenção a tudo o resto, por saber que entre livros, recensões e fechos de edição existem as pessoas e as suas histórias. A Tereza Coelho faz parte da minha e sinto-me grata pelo pouco tempo que com ela partilhei.

2 comments

  1. A edição de hoje do Público trás duas páginas dedicadas a Tereza Coelho.

    Com excertos de trabalhos publicados no jornal e uma declaração de António Lobo Antunes.

    E uma foto do seu rosto que não deixa ninguém indiferente.

  2. também trabalhei com a Tereza, ainda hoje lhe chamo “a minha directora”, para sempre ficará no meu coração.

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