Porto Editora: novidades

A Porto Editora apresentou hoje à imprensa as suas novidades para o primeiro trimestre do ano. Entre as duas Divisões Editoriais Literárias (do Porto, coordenada por Cláudia Gomes, e de Lisboa, da responsabilidade de Manuel Alberto Valente) e as duas chancelas de não-ficção, a Albatroz e a Ideias de Ler, a variedade é grande e proporcional à intenção de conquistar leitores com interesses e vontades heterogéneas.
Deixo de lado os livros de auto-ajuda e alguns romances mais cor de rosa que aí vêm, não só porque não pertencem ao universo que aqui tento acompanhar como porque não tenho muito (nem pouco, na verdade) para dizer sobre eles. Quanto aos outros, a colheita dos primeiros meses é promissora. Para começar, Ignacio del Valle com A Arte de Matar Dragões, e Antonio Garrido, com A Escriba, ambos a chegar às livrarias (e ambos na lista de próximas leituras aqui do Cadeirão). Em Fevereiro sairá Uma Longa Viagem Com José Saramago, de João Céu e Silva. Depois dos livros sobre Álvaro Cunhal e Miguel Torga, Céu e Silva acompanha agora o Nobel português em longas conversas em torno do seu percurso biográfico, da sua obra e das opiniões sobre temas nem sempre pacíficos. Em Março, promete-se uma pérola: A Ofensa, de Ricardo Menéndez Salmon, foi apresentado por Manuel Alberto Valente como um daqueles livros que, seguindo o figurino das perguntas-fetiche das revistas, o editor levaria para uma ilha deserta. E com uma carta de recomendação destas, espera-se o melhor. Ainda em Março, A Educação do Meu Umbigo, de Paulo Guinote, promete manter aceso o debate sobre a educação em Portugal. Autor do blog homónimo do livro, Paulo Guinote tem reflectido sobre o tema com pertinência e agudeza no ciberespaço; veremos como essa produção se transforma em livro.
Abril será o mês em que Francisco José Viegas assinala a sua entrada no catálogo da Porto Editora, e com um novo romance. O Mar em Casablanca volta a convocar o saudoso inspector Jaime Ramos e promete levar a intriga a paragens como Angola, Brasil e Argentina (Casablanca parece não fazer parte do roteiro…). Para além de Francisco José Viegas, serão editados A breve e assombrosa vida de Oscar Wao, de Junot Diaz, Divisadero, de Michael Ondaatje e o grande Chagrin d’École, de Daniel Pennac (lido aqui no Cadeirão, no original da Gallimard, e merecedor de todas as recomendações possíveis).
No total, serão vinte e um livros editados entre Janeiro e Abril. E considerações quantitativas à parte, é de saudar o equilíbrio do catálogo que se vai desenhando. Claramente, a chegada ao mercado de mais títulos de auto-ajuda e de romances cor de rosa não altera a minha felicidade (talvez até contribua um bocadinho para alguma infelicidade, mas isso já vem do meu mau feitio). Mas ver que uma editora que pertence ao mundo dos grandes (concedo que a designação é fraca, mas acho que o conteúdo é perceptível) consegue ter um catálogo com bons livros, e não apenas com produtos, traz alguma esperança para um futuro onde, tudo indica, serão os grandes a ocupar os espaços de quase todas as livrarias.

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