Cadeirão Voltaire

Correntes d’Escritas 09: momento epifânico

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Quase todas as refeições tiveram o seu momento de discussão sobre twitter, twinkles, aplicações, wirelesses e outras coisas tecnológicas que são certamente muito úteis para a comunicação, mas que não só não domino como me parecem autênticos mistérios. O twitter, por exemplo (e talvez daqui a uns tempos me arrependa do que vou dizer) parece-me um verdadeiro excesso comunicativo, onde pessoas acompanham o que outras pessoas – em alguns casos, algumas centenas – andam a fazer e a dizer, numa vertigem de comunicação que me aflige. E depois há os telemóveis que são, afinal, computadores, onde se lêem e-mails, se guardam fotografias e se hão-de estrelar ovos, quando a bimby descobrir o potencial de uma associação com, digamos, a Nokia. Não é só mau feitio e apreço pelo velho papel e pela velha caneta; tenho mesmo uma falha de compreensão e uma certa inaptidão no que às tecnologias mais recentes diz respeito (só para dar uma ideia da gravidade do caso, ainda guardo recortes de jornal, escrevo cartas em papel, recorrendo aos CTT para as enviar, e até há pouco tempo usava um walkman, com cassetes, para ouvir música na rua). Mas esta noite, a Isabel Coutinho armou-se de paciência e boa vontade e colocou-me nas mãos um I-Phone, mostrando-me as várias aplicações e tentando convencer-me do seu potencial. E é verdade, faz-se tudo naquele objecto (menos os ovos estrelados) e enviar e-mails, coisa que a mim já me parecia suficientemente exótica para se fazer num telemóvel, é a coisa menos relevante: usa-se a net como num computador, lêem-se livros, filma-se, grava-se, e recorre-se a tudo ao mesmo tempo, por exemplo, colocando um filme que acabou de gravar-se num blog que se está a actualizar. E tudo a caber na palma da mão. Não, não penso aderir, mas tenho de reconhecer que é fascinante e que não pensava vir à Póvoa experimentar um tal assombro. Dito isto, regresso ao meu caderninho de apontamentos, onde registarei, as epifanias tecnológicas da noite. Ao menos no papel, não há ‘bug’ que as apague.

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