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Depois das obras de remodelação, que felizmente mantiveram as características originais do espaço, a Livraria Sá da Costa, no Chiado, tem estado a trazer dos seus armazéns algumas preciosidades com mais de vinte anos. São sobretudo livros ‘infantis’ (à falta de melhor, mantenhamos a etiqueta), muitos deles com ilustrações que fizeram escola num determinado período da história e quase todos capazes de despertar no leitor adulto, entre as três e as quatro décadas de vida, um daqueles suspiros nostálgicos só permitidos pelo visionamento do Verão Azul ou do D’Artacão. O Ursinho Micha em banda desenhada, a poesia revolucionária disfarçada de texto didáctico (ou será o contrario?), os ilustradores de Leste, está lá quase tudo e a preços escandalosamente baixos. E fora a vertente nostálgica, a verdade é que muitos dos livros disponíveis, sobretudo no que à ilustração diz respeito, são exemplares importantes de algumas escolas e de tendências que deixaram marcas na ilustração que hoje se produz.
No que à minha própria nostalgia diz respeito, não resisti à felicidade suprema de reencontrar um livro que li vezes sem conta durante a infância e cujo paradeiro actual desconhecia (descobri entretanto que a minha irmã o guardou até hoje). A Boneca Cor de Rosa, de M. Sofia de Santo Tyrso, com ilustrações de Adelaide Penha e Costa e edição A Regra do Jogo, foi um dos primeiros livros que me obcecou, e apesar da imagem da capa estar presente na minha memória até hoje, sem qualquer deturpação, confirmei com a aquisição deste exemplar, na Sá da Costa, que a história que guardei até hoje era, na verdade, a segunda história do livro, e não a que lhe dá título. “A Menina das Estrelas”, assim se chamava a segunda história, incluía uma personagem com o exótico nome de Amarílis, um gnomo que a passeava, de patins, pelas estrelas e a estátua do Duque de Saldanha tremendo ao frio sobre o pedestal e pronta para sair da sua Praça ao volante de um avião. Era disto que me lembrava e a releitura da história, tanto do texto como das ilustrações, não beliscou a memória que tinha dela.