Thomas Bernhard, Os Meus Prémios, Quetzal

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Não haverá aspirante a escritor que não alimente a fantasia de ver um dos seus futuros livros premiados. O reconhecimento dos pares e o prestígio intelectual, com a ajuda da habitual compensação monetária, parecem transformar a vida de um escritor num verdadeiro mar de rosas. E no entanto, se exceptuarmos um ou dois prémios universalmente prestigiantes (como o Nobel) e a realidade da compensação monetária, os galardões literários podem esconder momentos fastidiosos, convívios com júris que nunca leram o livro em que votaram e almoços com autarcas que se interessam tanto por livros como por astrofísica.

Thomas Bernhard, prolífico autor de uma das obras mais importantes da segunda metade do século XX, reuniu um conjunto de textos sobre os vários prémios que recebeu ao longo da vida, anexando-lhes alguns dos discursos que proferiu em tão solenes ocasiões. Entre a constatação da ignorância de parte considerável dos presentes nas cerimónias e o registo de algumas preocupações de cariz existencial que extravasam a temática dos prémios, a verve de Bernhard produz um discurso frontal, certeiro nos seus alvos e nada encantado pelas luzes da ribalta. Assumindo que aceita os prémios porque o dinheiro lhe faz falta, o autor de Frost não se poupa a descrições pormenorizadas, algumas hilariantes (apesar do tom sério), das cerimónias. Entre croquetes e cumprimentos, há muito pouca literatura.

Sara Figueiredo Costa
(texto publicado na Time Out, 90, Jun. 09)

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