Correntes d’Escritas 2010: Em Lisboa

Como vem sendo habitual, o Instituto Cervantes recebeu a última das mesas das Correntes. Com moderação de Pedro Teixeira Neves, Germano Almeida, Héctor Abad Faciolince, Ricardo Menéndez Salmón e Tânia Ganho desfiaram histórias e ideias a partir do tema “O livro é isto:”. E os dois pontos no fim do tema foram mesmo relevantes, porque permitiram discursos muito diferentes em função do que a cada escritor ocorreu quando pensou sobre uma possível definição ou uma clarificação mais pessoal. Germano Almeida sugeriu que o tema podia mesmo ser uma boa forma de resumir e sintetizar todos os temas que passaram pelas mesas das Correntes, já que quase tudo pode caber nas respostas que se seguirem aos tais dois pontos.

Das personagens de Germano Almeida, que fazem com que nunca sinta a tal solidão de que tanto se fala a propósito do acto de escrever, à primeira viagem de Ricardo Menéndez Salmón a Lisboa, aos dezanove anos, com O Livro do Desassossego na bagagem, passando pela reflexão de Héctor Abad Faciolince sobre as mudanças tecnológicas associadas ao livro e pelos livros que influenciaram a vida, e depois a escrita, de Tânia Ganho, houve histórias, confissões e algumas imagens fortes, como a de Salmón, que vê a literatura “como o melhor aniquilador de preconceitos” (e justifica com o facto, extraordinário, de um comunista poder ler Mishima e emocionar-se, ou de um académico poder ler Pérec sem perder a pose), ou a de Abad Faciolince, que vê a tradução e a edição como “as formas mais extremas de leitura”.

Depois do debate, as despedidas oficiais. Manuela Ribeiro e Francisco Guedes, que viajaram até Lisboa para esta última mesa, continuam incansáveis na dedicação e na simpatia e acenam, no final, como quem já anda a congeminar temas para as mesas de 2011.

Já em casa, confortavelmente instalada no Cadeirão e com o sono acumulado nestes dias a clamar misericórdia, revejo os apontamentos de todas as mesas e escolho uma ideia para me ocupar os sonhos. Levo esta, de Ricardo Menéndez Salmón: “a ficção como fantasma do desejo”. Veremos se durmo sossegada…

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