No Verão de 2007, quando comecei a pensar num nome para o blog sobre livros e leituras que queria fazer, Alfredo Bryce Echenique surgiu como salvação óbvia. No seu A Vida Exagerada de Martin Romaña, originalmente publicado em 1981, mas que só li na edição da Teorema, de 2005, recupera-se uma peça de mobiliário que sempre habitou os meus sonhos mais materialistas: um cadeirão sólido, antigo e com todo o perfil de ser o sítio ideal para passar horas em absorta leitura junto às estantes da biblioteca. É daí que vem o nome deste blog. Cadeirão Voltaire é o nome dado a um determinado tipo de cadeirões, e a presença de Voltaire relaciona-se com o facto de existir um quadro em que o autor surge, lendo, sentado num cadeirão destes. A partir daí, o vocabulário associado ao mobiliário e à sua história passou a cunhar os ditos cadeirões como ‘cadeirões Voltaire’. Assim sendo, este blog foi buscar o seu nome ao início do romance de Echenique (“O meu nome é Martín Romaña e esta é a história da minha crise positiva. E também a história do meu caderno azul. E além disso a história de como um dia precisei de um caderno vermelho para continuar a história do caderno azul. E tudo num cadeirão Voltaire.”) e a uma certa ideia de felicidade, associada a horas de leitura irregular, desordenada ou concentrada, num belo cadeirão que guarda na sua estrutura alguns séculos de histórias associadas a leituras semelhantes.
Vem esta espécie de esclarecimento a propósito de alguns equívocos habituais sobre o nome deste blog. Há quem ache que o nome se deve a uma admiração quase fanática por Voltaire, quem lhe chame Cadeirão de Voltaire e até quem confunda ‘cadeirão’ com ‘caldeirão’. É mais simples que tudo isso, apenas um cadeirão onde pudesse abandonar-me à leitura sem a rigidez de uma cadeira de trabalho nem a tentação preguiçosa do sofá. Um cadeirão Voltaire parece-me a melhor maneira de passar horas junto às estantes. Daí o nome escolhido.