Feira do Livro de Lisboa: Para além das leituras

O encerramento adiantado da Feira no passado sábado, por causa da chuva, não terá corrido da melhor maneira. Logo no domingo, a Assírio & Alvim publicava o seguinte comunicado no seu blog:

A despeito das informações oficiais veiculadas pela APEL através do seu blogue, e da sua conta no facebook a verdade é que, às 18h00, não existiu nenhuma comunicação feita pelos altifalantes da feira a respeito do fecho antecipado, o que acabou por proporcionar um cenário ridículo em que alguns stands permaneceram abertos, e outros encerrados. A comunicação do encerramento antecipado da Feira foi feita por volta das 15h30, e perante a forte chuva e a decisão da organização, foram feitos telefonemas às pessoas do turno da noite para que não viessem, o que forçou a Assírio, e outras editoras em situação idêntica, a fechar realmente às 18h00.
Ora, ou a Feira fechava realmente, de modo integral, ou então não fechava de todo. O modo como a organização da Feira do Livro de Lisboa geriu este assunto foi pouco profissional e fortemente penalizador para muitos dos expositores presentes na feira. A Assírio & Alvim vem assim manifestar a sua indignação por estes acontecimentos, alheios à sua vontade, e fazer votos para que tal não volte a suceder no futuro. A todos os leitores que encontraram os nossos stands encerrados, as nossas sinceras desculpas.

Ontem, foi a vez da Antígona, através do seu editor, Lúis Oliveira, manifestar descontentamento pelo modo como o processo se desenrolou, bem como apontar algumas falhas que deixa à consideração geral, através de um mail dirigido aos editores e à APEL:

Caros Colegas,
Começo por vos felicitar pelas inovações introduzidas na Feira do Livro de Lisboa deste ano, mas também quero apontar algumas falhas, que passo a enumerar:

1. O horário da feira é uma irracionalidade, uma escravização do pessoal que ali trabalha; é fundamental discutir com todos os editores o horário do próximo ano.
2. Realizar a feira no princípio de Maio é outra irracionalidade; o Parque, com os seus incomparáveis relvados e jardins, é muito agradável e convidativo a passear pela feira em noites quentes; este ano, devido ao frio, é necessário as pessoas munirem-se de casacos de Inverno e aquecedores portáteis…
3. A Feira do Livro do Porto deveria realizar-se antes da de Lisboa; não beneficia das mesmas condições naturais e os habitantes do Norte são mais resistentes às intempéries…
4. Bem sabemos que os bancos não estão interessados em estar presentes na Feira, mas é de tentar uma solução que, pelo menos, aceite depósitos e possua moedas para os expositores.
5. Foi triste para os pequenos editores o episódio do dia 8 (sábado), em que é anunciado aos altifalantes da APEL o encerramento da Feira às 18 horas, sem que a quase totalidade das grandes editoras tivesse cumprido a ordem. A Leya, que tem responsabilidades na APEL, deu um bom exemplo de deslealdade e de arrogância. A APEL, que desde o início exigiu regras bem definidas, também perdeu a sua autoridade.
6. Haverá um mecanismo social hereditário na APEL, que se transmite de direcção em direcção, sem emenda, e que se traduz tantas vezes num visível desprezo pelos seus associados?

É sobre isto que a Direcção da APEL deveria reflectir, convocando desde já uma assembleia geral que permita aos editores manifestarem abertamente as suas críticas positivas e negativas acerca do funcionamento das feiras e de tantos outros eventos. O mercado não está minimamente regulado, vivendo os editores sobre um asfalto movediço e perigoso.
Com os meus cordiais cumprimentos,
Luís Oliveira

One comment

  1. Existem outras opiniões acerca do sucedido. A minha, por exemplo. Publicada igualmente há dois ou três dias na página da Frenesi:
    http://frenesi-livros.blogspot.com/2010/05/o-desporto-favorito-na-feira-do-livro.html
    Convém que se saiba. Convém que se saiba que existem editores (patrões) que, estando já de caixa registadora a abarrotar, estão-se a borrifar para o que se passa com os outros. E com o argumento obreirista do esforço que o prolongamento da feira representa para os seus empregados, como se esse esforço não pudesse ser atenuado mediante a contratação de mais empregados, distribuindo precisamente a riqueza realizada por mais gente que se encontra no desemprego!
    Paulo da Costa Domingos

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