Daniel Defoe, História Política do Diabo, Guerra & paz

Originalmente publicada em 1726, esta História Política do Diabo percorre uma linha de investigação e argumentação mais sólida do que o título poderia indicar, constatando as oportunidades que o mal teve (e aproveitou) ao longo da história humana e anotando as referências directas a esse mal que não perdeu actualidade com o passar dos séculos. Defoe está interessado no rigor e na ausência de dúvidas que um empreendimento como este não podem, obviamente, permitir, o que só reforça o interesse da sua argumentação.

Opondo-se a Milton, cujos versos de O Paraíso Perdido cita com frequência para contradizer, Defoe não quer saber de metáforas ou arquétipos, de símbolos ou parábolas: a sua missão é documentar as intervenções do Diabo na história, sobretudo a partir das Escrituras bíblicas, mas igualmente a partir das atitudes que a humanidade foi assumindo, das guerras à escravatura, da inquisição à conquista de outros povos. Quando o faz, confirma a inata capacidade humana para o mal (e não apenas para o bem, como as teorias do bom selvagem do também seu Robinson Crusoe levariam a crer), mas não deixa de considerar a existência de uma personagem maligna, e exterior à humanidade, capaz de o desencadear.

Para lá da argumentação e da pesquisa, este volume de Defoe é um verdadeiro catálogo de malfeitorias humanas, pelo que, com ou sem Diabo, o melhor é olhar para ele com a consciência atenta.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Time Out, Out.2010)

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