Correntes d’Escritas 2011: a obsessão da autobiografia

É pergunta corrente em encontros literários, mesas redondas e lançamentos: os livros que se escrevem são o reflexo da vida do autor? A pergunta é enfadonha, antes de mais, mas igualmente compreensível, tão compreensível como difícil de responder. E mente-se muito nestas respostas. Esta tarde, durante a apresentação do livro Os Pretos de Pousaflores, de Aida Gomes (D.Quixote), a autora explicou que cresceu apenas com o pai, sem irmãos e sem a presença da mãe, sendo a família que protagoniza o romance fruto da sua invenção. E concluíu: “Tinha de inventar esta família. Perguntam-me muitas vezes se o livro é autobiográfico. E isto é para perceberem o quão autobuiográfico ele é.” Serve de resposta a todas as perguntas sobre o tema, creio.

2 comments

  1. Sobre essa questão valia a pena ler o ensaio de Ana Luísa Amaral, a propósito do biográfico nos seus poemas como estratégia de escrita que só existe para permitir um pacto de leitura. Nele a autora diz que os poemas que lhe são mais rentes à vida são, aparentemente, os menos biográficos ou, pelo menos, aqueles em que o leitor tem dificuldade em estabelecer relações entre a ficção e os dados da figura autoral.

  2. Obrigada, Maria Inês. Só agora é que li o comentário com atenção (na Póvoa não deu para tanto) e fiquei interessada no texto. Dás-me a referência bibliográfica, para o procurar?

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