Feira do Livro de Lisboa 2011: primeiras impressões

A primeira visita foi rápida e deu para pouco mais do que acompanhar a inauguração oficial, cumprimentar algumas pessoas e percorrer o espaço da Feira a velocidade supersónica. Ainda assim, deu para perceber que a tendência da Feira do Livro no que à organização do espaço diz respeito é a criação de áreas diferenciadas onde os grupos editoriais com maior capacidade financeira procuram distinguir-se do resto das editoras. Este ano, para além da Praça Leya, temos ainda a Praça Porto Editora (muito semelhante à da concorrência, mas do outro lado do Parque e um pouco mais abaixo) e um objecto dificilmente classificável, mas apresentado como ‘túnel’ (ainda que a mim me tenha sugerido um enorme sepulcro), da responsabilidade da Babel. No caso das praças, temos uma zona com pavilhões virados uns para os outros, criando uma área central com mesas para autógrafos, esplanadas e outros pontos de entretenimento, por onde se circula com relativa facilidade (a não ser em dias de enchente) e onde os limites são definidos por umas barras de alarme iguais às de qualquer estabelecimento comercial.

 
(Praça Porto Editora e Praça Leya)

Já o túnel da Babel é todo um outro conceito: imaginem vários caixotes pretos alinhados, ligados uns aos outros por umas rampas exteriores e com enorme potencial para criar um ambiente de sauna nas horas de sol mais intenso (eu passei por lá por volta das seis da tarde e o calor ainda era muito). No interior, livros impressos e diferentes suportes para leitura digital, desde um objecto que imita o formato de um livro e onde se projecta a Mensagem, de Fernando Pessoa, até ecrãs tácteis onde se podem ler alguns e-books. Será a modernidade a chegar à Feira, mas a mim pareceu-me um ambiente demasiado claustrofóbico para apelar à leitura, para não falar no efeito visual que se experimenta do lado de fora, como se um enorme bloco negro tivesse aterrado por entre os pavilhões da Feira.


(‘Túnel’ da Babel)

Será conservadorismo da minha parte, mas gostava mais da Feira quando esta permitia passear desordenadamente por entre pavilhões, conversando com editores e folheando livros sem me sentir fechada em áreas vedadas ou enormes caixotes. Sim, às vezes chove e é aborrecido, outras vezes está muito calor e para isso estão lá as árvores e os relvados do Parque, mas substituir a sensação de subir e descer as alamedas em passeio livresco pela necessidade de entrar e sair de sítios não me alegra os dias de Feira.

A pressa não deu para muito mais, mas ainda permitiu passar pelos stands da Assírio & Alvim, Relógio d’Água, Kalandraka, Tinta da China e Almedina. E, já à saída, uma surpresa: a Loja de História Natural também está na Feira (do lado direito de quem sobe o Parque), e tem globos, casas-ninhos e plantas portáteis a acompanhar a excelente selecção de livros.

One comment

  1. Obrigado, Sara! Eu sempre com 7 pedras na mão e tu sempre tão simpática!
    Está a ser uma experiência participar na feira como feirante, depois de vários anos de fora a acompanhar debates sobre a mesma.
    O túnel de ressonância magnética da babel é uma vergonha, mostra desprezo pelos pavilhões em frente que se vêem sem pessoas a passar à sua frente, enfiados num túnel claustrofóbico.
    Enfim, os mesmos senhores que tanto lutaram contra a Leya afinal agora querem ser mais papistas que o papa.
    Muitos pavilhões seguidos também escurecem o espaço da feira à noite. A luz não passa entre pavilhões e torna o ambiente mais sombrio e feio.
    O mais chocante é que o grupo babel nem sequer tem assim tantas publicações para tantos pavilhões, é mesmo pura vaidade.
    Enfim, a feira está-se a tornar em mini supermercados e centros comerciais.
    Cumprimentos!
    Pedro Lérias

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