Richard Yates, Onze Tipos de Solidão, Quetzal

Quem se lembra de Revolutionary Road, o livro e o filme, sabe que Richard Yates não poupa nenhuma das ilusões do sonho americano quando se dedica à sua autópsia, seja nos subúrbios de todas as esperanças domésticas ou na Nova Iorque cinematográfica onde tudo parece possível.

Ambientados na década de 50 do século passado, os onze contos reunidos neste volume acompanham momentos rotineiros de personagens aparentemente plácidas, ocupadas com os empregos, a escola e a vida familiar, atestando a sua vocação para o desastre sem grande ruído. Entre o sargento impávido que se dedica à vida militar com todo o afinco, a jovem casadoira que se prepara para uma nova vida e o escritor falhado que ainda espera a fama para os seus nove livros inéditos, Onze Tipos de Solidão traça uma linha comum, marcada pela esperança injustificada e pela confirmação da sua derrota. Com um domínio formal do conto que lhe valeu os elogios, merecidos, de gerações de escritores, Yates testemunha a derrocada do sonho americano com um estilo e uma grandeza que tornam a frustração elegante. Em cada história paira a sombra que a miragem da vida perfeita exerceu nos Estados Unidos desta época, entre cocktails coloridos antes do jantar e chapéus atirados para lindos bengaleiros dourados, tudo desfeito com o avançar da narrativa. Nos escombros, sobra literatura da melhor qualidade, e nenhuma luz a assinalar a saída.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Time Out, nº, Jun.2011)

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