Novidades Grupo Bertrand/Círculo de Leitores

Como se tudo, realmente, acontecesse no Chiado, o Grupo Bertrand/Círculo de Leitores apresentou esta manhã as suas novidades editoriais para os últimos meses. E entre croissants da Bénard e a imprescindível cafeína, desfilaram algumas dezenas de livros, muitos deles futuros merecedores da atenção desta que vos escreve. Sem querer afogar os leitores numa lista interminável, passo a destacar alguns títulos, começando pela boa notícia de que a Temas e Debates vai editar, no ano que vem, a colecção integral dos Contos dos Irmãos Grimm. Mas já este ano, os leitores podem contar com o primeiro volume de uma colecção dedicada aos contos tradicionais europeus, da responsabilidade do antropólogo Francisco Vaz da Silva, que recolhe as várias versões e as comenta com propriedade. Ainda este mês, a mesma editora encerra a História da Vida Privada em Portugal (colecção dirigida por José Mattoso) com o volume dedicado aos nossos dias, da responsabilidade de Ana Nunes de Almeida.

Na Bertrand, teremos o regresso de V., de Thomas Pinchon, às livrarias, bem acompanhado por Esteja Eu Onde Estiver, uma saga familiar da autoria de Romana Petri que atravessa as últimas décadas da vida portuguesa. Já para Novembro, a mesma editora anunciou um livro cuja lógica, confesso, não consigo alcançar: Cozinha Conventual com a Bimby, que é assim como quem anuncia a possibilidade cozer pão em forno de lenha no IPad, ou fazer cataplana noutro zingarelho qualquer. Se há coisa que possibilita a cozinha conventual é a existência de muito tempo disponível, aliada à parafernália de técnicas culinárias, por vezes impossíveis de reproduzir em casa (e, claro, uma certa queda para a gulodice que pode ter qualquer coisa a ver com a abstinência, mas agora não vamos por aí), quanto mais numa Bimby. Desculpem lá insistir nisto, mas às vezes acho que a decadência civilizacional começa com coisas destas: pode ser que a Bimby faça qualquer coisa que parece pudim Abade de Priscos, ou morgado, ou barrigas de freira, mas não se iludam, apenas parece. Sigamos.

A Quetzal marcou a manhã com o anúncio da integração das obras de Jorge Luís Borges no seu catálogo. Os livros começam a sair em Fevereiro do próximo ano e estão prometidas edições individuais de cada obra, o que é motivo de regozijo (aquela ideia dos calhamaços com as obras todas lá dentro nunca me cativou). Já nos próximos meses, a Quetzal terá livros de V.S.Naipaul e J. D. Salinger, inaugurando séries dedicadas a estes autores, um livro que tem dado que falar nos terrenos da nova ficção norte-americana, Tudo Arrasado, Tudo Queimado, de Wells Tower, um novo romance de Manuel Jorge Marmelo, Uma Mentira Mil Vezes Repetida, e a reedição de Breviário das Más Inclinações, de José Riço Direitinho (três vivas, porque é um grande livro e andava tão desaparecido das livrarias…). Para além disso, a não-ficção também trará leituras interessantes, nomeadamente O Estado do Egipto, de Alaa Al Aswany, um conjunto de crónicas sobre a chamada ‘primavera árabe’, e um livro de Vitorino Magalhães Godinho, Problematizar a Sociedade, a inaugurar uma colecção dedicada às Ciências Sociais.

Com a chancela da Contraponto, Novembro trará O Longo Inverno, de Ruta Sepetys, um livro que promete não agradar aos leitores com pouca vontade de reconhecer as purgas políticas na União Soviética, os campos de trabalhos forçados na Sibéria e outros mimos estalinistas.

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