Livrarias Bulhosa suspendem quem fala

Na abertura da Feira do Livro de Lisboa, não foi apenas a comitiva oficial que passeou pelo parque, trocando cumprimentos com os passantes. Também os trabalhadores das livrarias Bulhosa, do Grupo Civilização, e da Europa-América marcaram presença, com panfletos que explicavam aos visitantes da Feira o que se passa nos seus locais de trabalho (salários em atraso, subsídios por pagar, total instabilidade laboral). Nessa altura, um dos trabalhadores da Bulhosa deu uma entrevista à SIC, falando sobre a sua situação laboral e a dos seus colegas; três dias depois, foi suspenso, como se pode ler na notícia do Expresso:

A administração da Bulhosa Livreiros suspendeu hoje de manhã Rui Roque, o trabalhador que surgiu, na reportagem da SIC, a denunciar a atual situação de salários em atraso na empresa, no âmbito da ação de protesto que decorreu durante a abertura da Feira do Livro de Lisboa.

“Hoje a administração decidiu suspender-me porque acha que não reúno condições para trabalhar na empresa”, contou ao Expresso Rui Roque.

O Expresso tentou obter esclarecimentos da Bulhosa Livreiros, do grupo Civilização, mas não conseguiu mais do que uma declaração. “A empresa não comenta questões internas relacionadas com os seus funcionários”, leu o assessor de imprensa, acrescentando: “A Bulhosa Livreiros pauta-se pelo respeito escrupuloso pelos direitos legais dos trabalhadores, designadamente o direito à manifestação”.

Na comunicação do processo disciplinar que enviou ao funcionário, a administração refere, especificamente, que a decisão ocorre na sequência do conhecimento do comportamento do trabalhador no dia 24 de Abril de 2012, data da manifestação conjunta de trabalhadores da Bulhosa Livreiros e da Europa-América, organizada com o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal CESP), para denúncia dos salários em atraso nas duas empresas.

 

2 comments

  1. “A Bulhosa Livreiros pauta-se pelo respeito escrupuloso pelos direitos legais dos trabalhadores, designadamente o direito à manifestação.”
    PQP.
    Nem direito à manifestação, nem direito aos devidos salários.

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