A BiblioHistória em risco

Em 2010, o escritor Pedro Almeida Vieira iniciou um projecto bibliográfico dedicado ao romance histórico e disponível para consulta gratuita na internet. Com 1.800 títulos e cerca de 650 autores referenciados, a BiblioHistória é uma base de dados que apresenta obras de literatura do género histórico – ou com incursões históricas – publicadas por escritores portugueses desde o século XIX até à actualidade. As informações nela constantes resultam do trabalho de investigação que o escritor tem vindo a desenvolver e que, para além da informação bibliográfica, já permitiu a redescoberta e o resgate para a edição do primeiro romance moderno português, O Estudante de Coimbra (edição actual da Planeta), de Guilherme Centazzi, publicado em 1840-1841.

BHistoria

Autor publicado na Sextante, Pedro Almeida Vieira teve assegurado um apoio financeiro a este projecto por parte da Porto Editora (grupo editorial onde se insere a Sextante) até há poucos dias. O apoio, de 600 euros anuais, garantia a manutenção do site que alberga a BiblioHistória e o pagamento do técnico responsável pelo trabalho informático e era uma contrapartida adicional ao contrato de edição que o autor assinou com a Sextante em 2010, ainda que pudesse ser legalmente denunciada a qualquer momento. Agora, o apoio foi suspenso, colocando em causa a continuação do trabalho.

No seguimento do anúncio do fim do apoio à BiblioHistória, feito por Pedro Almeida Vieira na sua página de Facebook, este blog pediu confirmação da situação à Porto Editora através de um e-mail, onde perguntava igualmente pelos motivos que teriam decidido o cancelamento desse apoio. Em resposta, a Porto Editora confirmou o cancelamento e disse, através do seu Departamento de Comunicação, que “no entanto, o seu editor, João Rodrigues [Sextante], está em contacto com o autor para estudar outras possibilidades no quadro do relacionamento existente entre o autor e a editora”, não acrescentando nada sobre os motivos. Igualmente contactado por este blog, Pedro Almeida Vieira confirma estar em contacto com o seu editor, mas acrescenta que esse contacto não tem significado no que respeita ao tema da BiblioHistória: “Não estou nada confiante, por uma simples razão: ao denunciar o protocolo, por carta registada e sem me dar cavaco prévio, é a própria editora que assume explicitamente que o ‘quadro de relacionamento’ não é bom.”

Sem desistir do trabalho empreendido nos últimos três anos, Pedro Almeida Vieira resolveu recorrer ao Crowdfunding para garantir o suporte financeiro necessário para dar continuidade à BiblioHistória. Na página criada para o efeito, qualquer pessoa pode contribuir com a quantia que quiser e puder, com a garantia de que a verba será usada para a actividade anunciada e com a meta imperiosa de se alcançarem os 1000 euros de financiamento (o Crowdfunding funciona por metas estabelecidas e as pessoas que contribuírem só verão o seu dinheiro ser encaminhado para o projecto se a meta dos 1000 euros for atingida, o que também garante o reembolso caso isso não aconteça). Assim, quem quiser apoiar a continuação da BiblioHistória só precisa de ir a esta página, preencher os dados pedidos e decidir o valor da contribuição.

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