O Negócio dos Livros, de André Schiffrin (Letra Livre)

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“Dezenas de editoras, a maioria das quais hoje desaparecidas enquanto casas independentes, estavam nessa altura a produzir livros intelectualmente relevantes. Algumas, como a McGraw-Hill, que publicou grandes autores como Vladimir Nabokov, viraram-se para a área do livro técnico e de gestão. Outras, como a Schocken, a Dutton ou a Quadrangle, submergiram em grandes grupos económicos, tendo perdido identidade própria. Outras ainda, como a John Day e a McDowell Obolensky, juntaram-se aos anais da História, fazendo agora parte de um passado em larga medida esquecido.”

André Schiffrin, O Negócio dos Livros, Letra Livre (tradução de Octávio Lemos e Rui Lopo, intróito de Vítor Silva Tavares; pg. 92)

6 comments

  1. Saiu alguma recensão na LER ou num dos jornais? Não me lembro de ter lido nada sobre ele.

  2. Sairá na próxima Ler, André. Noutros jornais ou revistas ainda não vi, mas não garanto que não tenha saído nada.

  3. É verdade, André. A imprensa não está na sua melhor fase e os tempos que cria, os espaços que organiza e o modo como se relaciona com os temas que trata desiludem quase sempre. Dentro da imprensa, há que batalhar para que certas coisas sejam faladas, fora da imprensa, há espaço para quem queira fazer diferente. Pode ser que, no futuro, se consiga criar outras formas de fazer imprensa, mas se tal não acontecer a internet é sempre um espaço possível (enquanto não o cortarem).

  4. Para que quero eu ler agora a recensão a este livro, por exemplo, na LER ou noutra revista ou jornal, se já li duas muito boas na internet? Vale de quê uma revista e um jornal se não me dão essa qualidade e a tempo (porque daqui a um mês ou dois esse livro passa de “prazo”, como sabe)? Mais vale seguir esses blogues e poupar 5 euros, não acha?

  5. Caro André, não precisa de ler a Ler e pode poupar os 5 euros, claro; se não está satisfeito com o que lê na revista, é o caminho mais acertado. Se me pergunta se eu também acho que fazer isso é uma boa ideia, respondo-lhe que, pessoalmente, não acho. E explico porquê, já agora. Primeiro, gosto de comprar a imprensa e ler aquilo que ainda me interessa, reconhecendo que a imprensa não anda famosa; compro a Ler há muitos anos, quase desde o primeiro número, muito antes de imaginar que lá escreveria, e continuaria a fazê-lo mesmo que deixasse de lá escrever e mesmo sabendo que gostava mais da LEr que tinha mais páginas e mais espaço para textos (mais textos e maiores textos). Segundo, a ideia de que se um jornal ou revista não escreve imediatamente sobre um livro já não vale a pena fazê-lo porque o livro passa de ‘prazo’ é uma ideia da qual discordo profundamente e contra a qual tenho tentado bater-me nos sítios onde colaboro. Não acredito em prazos e não acho que a imprensa tenha de limitar-se a escrever sobre a novidade, até porque acho que esse é um dos motivos para terem passado a existir ‘prazos’ nos livros (não é o único, nem talvez o mais decisivo, mas ajudou); acho, mesmo, que a imprensa sobre livros ganharia em escrever sobre livros independentemente de quando eles foram lançados, porque assim não andávamos todos a cultivar a ditadura da novidade e talvez pudéssemos dedicar-nos àquilo que realmente interessa. Terceiro, a questão dos blogs e da internet em geral e daquilo que por lá se escreve é muito interessante nos tempos que correm, porque é verdade que há muitas áreas em que se encontram verdadeiras pérolas para ler on-line, pérolas essas que não se encontram impressas, e também é verdade que muitas vezes se encontram essas pérolas por mera sorte. Não estou a desprestigiar o que se escreve na net, estou a referir-me ao fenómeno da atomização e da fragmentação que tem sido referido por muitos estudiosos da comunicação e que é um fenómeno interessante para tentarmos perceber o mundo em que vivemos (resumindo, o facto de haver óptimos textos na internet sobre as áreas mais variadas não faz com que toda a gente lhes aceda naquele sentido em que toda a gente pode aceder a um jornal ou revista, e isto apesar de o acesso até ser mais rápido; é um tema muito interessante e que fornece matéria infindável para reflexão, nomeadamente sobre a perda das referências comuns, que permitiam um certo tipo de discussão, e o surgimento de referências múltiplas, dispersas, que permitem outras reflexões). Quarto, há muitos leitores da Ler (e de outras publicações impressas) que não lêem blogs ou sites com a frequência e a dedicação de outros leitores, e até há alguns que não lêem de todo, pelo que não me parece que só porque há textos bestiais sobre o mesmo assunto on-line uma publicação em papel deva deixar de referir esse mesmo assunto. Quinto (de certo modo remetendo para o segundo e para a questão do tempo), a LEr é uma publicação mensal cujo fecho acontece a meio do mês anterior à sua saída (ou seja, a Ler de Junho fechou em meados de Maio). Na altura em que a Ler de Junho fechou a edição, eu ainda não tinha conseguido dirigir-me a uma livraria para comprar a edição portuguesa do livro do Schiffrin (sabia que ia sair, mas nem tinha a certeza se já estava cá fora); tinha lido a edição inglesa, mas parece-me sempre uma boa política não escrever sobre livros em português a partir de uma edição noutra língua, pelo que quis esperar por ter o livro nas mãos, e voltar a lê-lo, para poder propôr à Ler um texto sobre o livro, proposta que foi muito bem acolhida, até porque ainda não tinha havido outra. Quanto a tempos, portanto, o meu texto só poderia entrar na Ler de Julho; mesmo de uma perspectiva exterior, ou seja, pouco importando se fui eu quem escreveu o texto ou não, parecer-me-ia sempre mais importante que a Ler falasse do livro do que o contrário (aliás, parecer-me-a ridículo que a Ler não o fizesse), e assim aconteceu. Tudo isto para responder à pergunta que me fez, mas é como lhe disse no início, somos todos livres de gastar o nosso dinheiro onde nos parecer melhor e se o que se publica na Ler não o satisfaz, o melhor que pode fazer é, de facto, não a comprar.

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