“Livros: as regras do negócio”, no Le Monde Diplomatique

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Na edição deste mês do Le Monde Diplomatique – edição portuguesa assino um artigo sobre o negócio do livro em Portugal. Perceber como funciona a distribuição de livros pelas livrarias, que regras definem as margens dadas aos livreiros, como é que a Lei do Preço Fixo regula (ou se regula) o mercado, como é que os editores conseguem espaço de exposição nas livrarias ou até que ponto toda a gente joga o mesmo jogo foram alguns dos pontos de partida. Um outro foi tentar esclarecer o que aconteceu durante as campanhas de Natal da Bertrand e da Fnac, onde se venderam livros com descontos superiores ao que a Lei do Preço Fixo prevê, procurando perceber se houve ou não uma quebra dessa mesma lei e de que modo é que essa questão se relaciona com o funcionamento habitual do mercado editorial e livreiro. Espero ter contribuído para um debate que me parece necessário e agradeço aos editores, aos livreiros e às instituições que se disponibilizaram para responder às perguntas que lhes fiz. O jornal está nas bancas.

Um excerto:

«Se são os editores que pagam parte considerável dos descontos oferecidos em certas livrarias, sendo essa a única forma de participarem em campanhas como as do Natal, e sabendo-se que a facturação de uma editora nesta época do ano tem um peso decisivo na facturação anual e que os livros que não estiverem em destaque têm poucas possibilidades de serem vistos e comprados, não é difícil perceber que os editores não têm como recusar-de a participar. Poderão fazê-lo, mas à custo de verem os livros relegados para zonas cinzentas das livrarias. Impõe-se uma pergunta: não estarão os editores e as livrarias que oferecem descontos regulares e avultados a dar aos compradores de livros uma ideia errada sobre o seu real valor? Carlos da Veiga Ferreira, editor há quatro décadas, primeiro na Teorema, agora na Teodolito, é peremptório: “A prática de descontos selvagens viola a Lei do Preço Fixo, mas mesmo quando não o faz contribui para uma degradação de preço que acho suicidária da parte dos editores, até porque terá sobre o leitor o efeito perverso de o levar a pensar que os livros estão todos caríssimos, uma vez que quando saem custam 20 euros e de repente, sem que se perceba porquê, passam a custar 2 ou 3.”»

2 comments

  1. É com certeza ingenuidade da minha parte, mas não consigo perceber por que razão as editoras têm de pagar para ter os seus livros expostos numa livraria. As livrarias não são um negócio que vive da venda de livros?

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