Leituras: “Com respeito às palavras”

O tempo não faz desvanecer tudo o que se imprime nos jornais; no Ípsilon/Público de sexta-feira, um texto de Hélia Correia analisa o nosso entorpecimento colectivo com recurso à etimologia e à semântica, duas ferramentas tão essenciais para conhecer e pensar sobre o mundo (e deve ser por isso que sucessivos Governos se têm entretido a afastar dos programas escolares, não vão as sinopses questionar o absurdo em que vivemos todos os dias).

“É necessário estarmos prevenidos contra os efeitos destas redacções. Há, no deslize para as figuras de compêndio, quase um tropismo, uma procura de consolo. Isso empobrece a agudeza do olhar. Sei que aquilo que eu disse muita vez — “Hoje o nosso inimigo não tem rosto”, para significar que é mais difícil reconhecê-lo, assinalá-lo e confrontá-lo, não é só uma frase retórica e inútil — partilha essa tendência viciante para a baixa literatura que nos dá a ilusão de intervir pela palavra. O que a expressão “sem rosto” cria é uma distância e, mais que uma distância, uma abstracção. Junta-se aos nossos medos ficcionais. Começámos com o Feiticeiro de Oz, vamos ao Orwell e a lição que retiramos é que, no fim, acaba tudo bem, os livros fecham-se e as crianças vão para a mesa. Bettelheim explicou que serventia têm estes entrechos. Um adulto já não beneficia com semelhante kit de aprendizagem. Corre o risco de hipnose. Vai pelo sonho. Estou convencida de que sonhar leva a que a musculatura se atrofie.”

O texto completo está aqui.

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