Panorama. La novela gráfica española hoy

panorama-novela-grafica-espanola-hoy-Astiberri

VVAA
Panorama. La novela gráfica española hoy
Astiberri

Os últimos anos viram nascer e crescer um fenómeno sociologicamente curioso no meio editorial, livreiro e jornalístico: o termo ‘novela gráfica’, originalmente cunhado por livreiros na tentativa de distinguir comercialmente os livros mais juvenis dos livros com uma densidade, um discurso e uma reflexão mais adulta, passou a ser usado como se de um género se tratasse. O processo terá começado com a generalização do termo para bandas desenhadas que desenvolvem uma mesma história em muitas páginas, desde que essa história não se enquadre em certos registos mais conotados com o universo fantástico ou juvenil (o que cria, obviamente, um grave problema taxonómico, misturando temas com formatos, público-alvo com dimensão, etc).

Instalada a confusão e a falta de rigor, o que podem fazer autores, editores e académicos da área? Tentar esclarecer o equívoco, claro, mas também jogar com ele. De certo modo, é essa a opção da Astiberri ao atribuir a esta antologia, Panorama, o subtítulo de ‘La novela gráfica española hoy’. Para os leitores que se convenceram de que a novela gráfica é um género e não um modo pomposo de falar de banda desenhada que não interessa apenas a nichos ou a fãs, o subtítulo ajuda-os a identificar este objecto como algo que quererão ler. Para os que já sabem do que se trata, o termo pode ser incómodo, claro, mas não impedirá qualquer leitura. Assunto arrumado, portanto (pelo menos em termos de mercado), como Santiago García explica no prefácio do livro.

Panorama reúne histórias curtas de três dezenas de autores espanhóis de banda desenhada, conformando um olhar heterogéneo sobre o estado da arte. Os contributos vão de nomes já consagrados (Max, Pere Joan, David Rubín) a autores que ainda estão a tentar publicar fora do circuito dos fanzines (Gabriel Corbera). O que une estes trabalhos é o facto de poderem inscrever-se num processo recente de criação e publicação de banda desenhada, fora dos circuitos internacionais e da publicação de tiras humorísticas na imprensa periódica (esses são outros universos, que passam pela contratação de autores de várias partes do mundo pela indústria norte-americana dos comics ou pela indústria que ainda se mantém no eixo franco-belga, por um lado, e por outro pela publicação diária de cartoons e bandas desenhadas de carácter humorístico nos jornais e revistas que circulam em Espanha).

Como explica Santiago García, “es a este nuevo cómic, a la novela gráfica en España, a lo que se consagra el presente volumen”, e aqui cabem os autores que se auto-publicam, ou que publicam em fanzines colectivos, bem como os que trabalham com editoras espanholas de maior ou menor envergadura, mas todos inseridos num gesto colectivo de renovação da linguagem, das temáticas e da abordagem estético-narrativa da banda desenhada. ‘Novela gráfica’ não será o termo mais preciso e rigoroso para definir os trabalhos que se publicam em Panorama, mas o volume é, seguramente, o modo mais completo de garantir um olhar transversal sobre o que de mais interessante está a acontecer na banda desenhada espanhola contemporânea.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Blimunda, nº17, Out. 2013)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s