Rota das Letras: derrubar paredes

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Dizem-me que em Macau não há muita oferta cultural que valha a pena acompanhar e que também por isso o Rota das Letras é um momento importante para quem tem vontade de mundo e de meninges em actividade. Ao fim de três dias desta terceira edição do festival, posso dizer que um dos pontos mais importantes tocados pela programação passa pelo encontro entre gente que se desconhece e não há muitas coisas às quais valha tanto a pena dedicar o tempo. Para alguém que vive no Ocidente e não conhece a realidade de Macau na sua relação ‘um país, dois sistemas’ com a China, pode parecer estranho o desconhecimento mútuo, mas o facto de a maioria dos não-chineses de Macau não falar o cantonês ou o mandarim faz com que o contacto seja muito difícil. Por outro lado, o fechamento alimentado pelo regime chinês a quase tudo o que vem de fora faz com que alguns escritores da China continental não tenham grande ideia do que se faz noutras latitudes (mesmo quando essas latitudes são aqui ao lado, ainda que em línguas diferentes). Colocar pessoas destes muitos lados de um espaço comum e de outros espaços um pouco mais longínquos no mesmo festival permite encontros impossíveis noutros contextos e permite, sobretudo, que o público de diferentes expressões de Macau não fique reduzido à literatura da sua língua materna, seja ela qual for. Se isto não é um modo de derrubar paredes e escancarar janelas, não sei o que possa ser.

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