Regressar a Macau

 

É a terceira vez que chego a Macau e já não me sobra estranheza perante o que nunca vejo na terra de onde venho. Andaimes de bambu, pivetes e oferendas no chão à porta de lojas e prédios, peixes vivos em alguidares à porta de restaurantes, ruas movimentadas que subitamente se transformam em becos silenciosos onde o incenso dos deuses arde pela noite fora. Não haver estranheza é saber-me em casa, mesmo que muito longe de casa. E a oito horas e uns quantos mil quilómetros dessa primeira casa, retomo sem dificuldade a rotina de Macau: reencontrar amigos, abraçá-los e saber deles antes de qualquer outra coisa. Beber chá de jasmim pela manhã, mesmo sem dispensar a cafeína, ler os jornais em português e o South China Morning Post, sentar-me na redacção do Ponto Final, que é o ‘meu’ jornal deste lado do mundo, único sítio onde posso dizer que tenho uma redacção. Quando a fome aperta, almoçar uma sopa de fitas, já habituada à humidade constante que transforma o resto de frio que ainda sobra do Inverno num quase calor. E para ter a certeza de que já nada me é estranho, dar indicações a turistas da China continental que, munidos de um mapa e arranhando um inglês que chega e sobra para comunicar, querem saber onde fica o Largo do Senado quando estamos a poucos metros do Largo do Senado.

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