Leonardo Padura: Quando a liberdade é heresia

padurafotoDepois de O Homem que Gostava de Cães, Leonardo Padura regressa ao romance com Hereges, uma narrativa sobre a conquista da liberdade que cruza tempos e lugares, desembocando na Havana do presente e nas investigações dedicadas de Mario Conde, personagem central de vários livros do escritor cubano. Das perseguições aos judeus na Europa do século XVII a uma Cuba onde os ‘amanhãs que cantam’ há muito se confirmaram fora de tom, passando pela II Guerra Mundial e por um barco que poderia ter salvo centenas de judeus do Holocausto, assim algum governo (o cubano, o norte-americano, vários outros) tivesse permitido o desembarque dos que tentavam fugir, Mario Conde traçará o rumo e os mistérios associados a um quadro de Rembrandt que resume magistralmente o gesto e o desejo de ser livre, sem nunca dispensar a reflexão sobre o que tal liberdade significa.

Em Lisboa, Leonardo Padura falou à Blimunda sobre Hereges, mas também sobre a sua escrita, o ofício de registar em crónica a vida quotidiana de Havana e as mudanças que poderão nascer do reatar das relações entre Cuba e os Estados Unidos da América.

Em Hereges há estruturas e estratégias que identificamos com o policial e com o romance histórico, mas como acontece com outras obras suas, não é um livro que possamos encerrar numa categoria de género. Este quebrar de regras interessa-o enquanto processo de trabalho?
Creio que se podemos encaixar este romance em algum género, será no género herege. Este é um romance herege, porque uso recursos do policial, do romance histórico, do romance filosófico, e utilizo-os na medida em que me interessa partir de um conhecimento e de uma prática. Mas os meus policiais nunca são verdadeiros policiais, e os  meus romances históricos não são verdadeiros romances históricos, porque o que faço é utilizar o género com outra perspectiva. Acredito que para isso me ajudou muito uma série de leituras que fiz no momento certo, e uma das que faço sempre questão de reconhecer é a de Manuel Vázquez Montalbán, porque me mostrou até que ponto um romance policial pode ser, sobretudo, um romance social. O resto – o morto, o suspeito – é apenas pretexto.
Neste romance queria falar do tema que atravessa o livro, a conquista da liberdade. Quando comecei a planeá-lo tinha muito claro na cabeça que queria escrever sobre um jovem cubano do presente que tem conflitos com o seu meio, nesse exercício de escolher livremente. Mas percebi muito rapidamente que se escrevesse um romance em que falava desse conflito em Cuba isso ia ter apenas uma leitura, e uma leitura política, por isso decidi procurar outros territórios da história, da geografia e do próprio conflito sobre a liberdade para desenvolver o romance. É assim que entro num território de investigação e de representação histórica e crio uma espécie de gancho policial que percorre todo o livro, que é este quadro de Rembrandt. São estes os alicerces que sustentam toda a história, uma parte conceptual, a busca da liberdade, e uma obra de Rembrandt que é, em si mesma, um acto de heresia.

Começando com essa vontade de escrever sobre um jovem cubano do presente, há um recuo temporal que exige muita investigação, até porque há inúmeros factos históricos neste romance. Como estruturou este enredo, cruzando história e ficção, para além de diferentes cronologias?
A verdade é que não sei. No processo de escrita, vamos descobrindo algumas coisas. Primeiro, é preciso saber o que se quer dizer, e depois vai-se descobrindo, à medida que se escreve, como é que se pode dizê-lo, qual o melhor modo. Num primeiro momento, nestes romances que têm investigação histórica (como O Romance da Minha Vida e O Homem que Gostava de Cães), trato de começar a escrever todas as histórias. Escrevo 20, 30, 40 páginas de cada uma e quando já sei para onde irão essas histórias, retomo uma delas e escrevo-a até ao fim. Faço o mesmo com as restantes e é depois que começo o processo mais complexo de juntar todas, dando-lhes uma expressão mais acabada dos conflitos, das personagens, dos tempos verbais que dão diferentes perspectivas, para que cada uma tenha a sua própria identidade e todas, por sua vez, conformem uma mesma entidade. Aí há um processo que é muito misterioso. Na verdade, creio que há dois grandes mistérios, para mim, no acto de escrever: um é saber de onde sai a história de um romance, que não sei; o outro é descobrir para que é que vou escrever um romance. Quando se resolvem esses dois mistérios, ou seja, quando sei qual é a história que quero escrever e para que é que a quero escrever, tudo se torna mais fácil.

Então, o processo de escrita é o mesmo que provoca no leitor com este romance, porque apenas quando o final se precipita é que o leitor consegue ter a perspectiva integral do romance, dos fios que constroem um enredo.
Sim, é o que tento fazer. O fim do romance foi escrito realmente no fim do processo de escrita, porque não sabia que ia chegar exactamente aí. No meu primeiro romance policial, Passado Perfeito, comecei a escrever sabendo que havia um crime, mas sem saber quem seria o criminoso. Tinha um morto e não tinha assassino, e descobri-o no processo de escrever. De um certo modo, isso explica porque é que é um falso romance policial, porque realmente o importante não é saber quem matou quem, mas sim o processo de criação de um oportunista em Cuba e a relação que se estabelece com a busca da verdade pelo personagem Mario Conde. E creio que isto se repete em toda a minha literatura: descobrir no próprio processo de escrita aonde vai chegar a história a partir destas duas primeiras respostas de que falei. Em Hereges sabia que queria escrever um romance sobre a busca pela liberdade e escrevê-lo para falar sobre esse desejo de ser livre ser uma necessidade essencial da condição humana. E queria escrevê-lo de uma perspectiva cubana. O mesmo já se passou com O Homem Que Gostava de Cães. A história do assassinato de Trotski, em linhas gerais, todos a conhecemos, mas escrever esse romance só tinha sentido para mim se partisse de Cuba e aí regressasse. E com este romance acontece o mesmo, é uma necessidade de expressar um conflito, uma situação especificamente cubana, mas abrindo-a a uma perspectiva mais universal.

Hereges  paduracaes

E o quadro de Rembrandt, como decidiu introduzi-lo na narrativa para a unificar?
Quando decidi que Rembrandt seria um personagem principal deste romance, e que haveria um jovem judeu sefardita que chegaria ao seu estúdio querendo ser pintor, o que implica um conflito com a sua comunidade. Estudando a obra de Rembrandt fui percebendo que obras me interessava destacar neste processo de aproximação à figura de Rembrandt. E arranco com A Ronda da Noite, que é o quadro em que o pintor chega à sua grande mestria, mas também aquele em que começa a sua decadência enquanto pintor de sucesso. É uma coisa absolutamente dramática e contraditória. Nesse período posterior há várias obras de Rembrandt que são muito importantes, mas descobri duas que realmente me deram um pouco a chave do que era a pintura de Rembrandt: Os Peregrinos de Emaús, em que se vê esse Cristo que é um homem que, regressando da morte, expressa uma enorme humanidade, e o conjunto dos retratos, estas cabeças de Cristo que são uma série de cerca de quinze (as que se conservam, porque talvez tenham existido mais). Vendo essas cabeças de Cristo dei-me conta de que havia um processo artístico que era já absolutamente moderno e que, de algum modo, o que fazia Rembrandt no século XVII é o que tratamos de fazer todos os artistas posteriores. Não é nada casual que isto se passe nesse momento em que se está a fundar o pensamento moderno com a obra de Espinosa. Até aí chega um ponto da evolução da arte e do pensamento, mas a partir daí começa outro do qual ainda fazemos parte nesta pós-modernidade.

Uma das epígrafes do romance, tirada do Talmude, diz que “tudo está nas mãos de Deus, excepto o temor a Deus”. A liberdade para acreditar ou não acreditar, e para ter ou não ter medo, é uma das primeiras liberdades pelas quais devemos lutar?

Creio que é preciso lutar por todas elas, mas justamente essa de crer ou não crer, de decidir ser ou não ser um participante activo, parece-me essencial, porque não se pode pedir a ninguém que pense como o resto das pessoas. Podes conseguir convencer outra pessoa, podes fazê-la entender, mas não podes obrigá-la, tens de dar-lhe espaço para escolher. Creio que todas as liberdades são possíveis e admissíveis desde que não se convertam na prisão de outra pessoa. Há liberdades entre aspas que são inadmissíveis porque significam que o outro perde a sua liberdade, e nesse sentido creio que sim, que a liberdade primeira é a de crer ou não crer e, a partir daí, escolher o caminho de cada um. E oxalá isso pudesse ser sempre assim.

Hereges cruza três tempos distintos, mas há coisas que não mudam na História: o ódio ao que é diferente, a intolerância. Somos assim tão iguais desde sempre?
Ontem conversava com dois amigos escritores aqui de Lisboa e abordámos esse tema de uma perspectiva literária muito concreta: de que forma os trágicos gregos descobriram a essência da condição humana de uma forma tal que, ainda hoje, são a referencia do que fazemos? Um desses escritores dizia-me que o romance que está a escrever é, de algum modo, inspirado na Odisseia, e eu disse-lhe que o filme que acabo de fazer com Laurent Cantet se chama Regresso a Ítaca. Desde então, e na própria Bíblia, estão reflectidos uma série de conflitos essenciais da condição humana e creio que, no essencial, o ser humano não mudou, o que mudou foi a sua relação com o meio, o seu pensamento, que se adequou às novas condições em que vive e em que desenvolve as suas actividades. Mas o essencial do ser humano continua o mesmo desde as origens da civilização, que, como sabemos, é um pequeno momento na história do Universo. Às vezes parece-nos muito tempo, mas na realidade é tão relativo que pode ser muito pouco tempo. Sim, estou convencido que continuamos a ser muito parecidos com as pessoas do tempo de Péricles, ou dos nómadas judeus que protagonizam os episódios da Bíblia. O que acontece é que em cada cultura podemos entender as coisas de uma forma distinta, desde o plano ético ao plano religioso, e quando nos damos conta de coisas terríveis que acontecem no presente, podemos sempre encontrar coisas terríveis que aconteceram no passado. É o caso da matança de judeus na Polónia, em 1648, que de alguma forma antecede o que aconteceria três séculos depois nos campos de extermínio nazis, ou o que está a acontecer com o exército islamita em África e noutros locais. Ou seja, sempre existiu essa relação do Homem com a violência ou com a bondade, que nos caracterizou e que continua a acompanhar-nos.

Para esta reflexão sobre a liberdade, Hereges estabelece um paralelismo entre as perseguições aos judeus e os jovens desalinhados da Havana do presente. Não temeu fazer este paralelismo, sendo as perseguições aos judeus um tema tão sensível?
Não creio que seja um paralelismo nesse sentido, mas sim um paralelismo na relação do indivíduo com uma sociedade na qual supostamente essas pessoas têm uma grande liberdade, mas essa liberdade tem limites que lhe são impostos por distintos poderes, que podem ser políticos, económicos, sociais, religiosos, de género, de mercado, etc. E aí, sim, há um paralelismo, não no sentido das perseguições, porque aí não há comparação, mas na essência humana no que diz respeito a como entender e interpretar a liberdade, e como sentir que há forças que se opõem a essa prática da liberdade.

Hereges, como O Homem que Gostava de Cães, fala de uma Cuba com muitas carências da população, muitos direitos que não existem e deveriam existir. Em Hereges, que avança um pouco no tempo relativamente ao romance anterior, há coisas que parecem ter melhorado, sobretudo se as comparamos com a realidade cubana dos anos 90, mas também há uma certa ideia de devastação emocional, de falta de esperança. É assim ou é algo mais literário do que reflexo de uma realidade?
Há muitas perspectivas para olhar para a realidade e cada uma delas pode ter uma parte de verdade. Creio que nos meus romances proponho uma reflexão sobre a realidade cubana de um modo o mais perto possível de uma perspectiva possível e real. Não é manipulando politicamente a realidade cubana, porque não quero que os meus livros se convertam em panfletos políticos, mas sim tratando de dar uma visão social do que está a passar-se em Cuba nos anos mais recentes. De alguma forma, às vezes escapamos das funções da literatura, ainda que outras funções também possa ser a sua, e nos meus romances trato de fazer uma crónica do que tem sido a vida cubana nestes últimos 20 ou 30 anos: às vezes fui mais atrás, mas fundamentalmente tenho-me centrado nos anos 80 e 90, e nos últimos anos também, e posso assegurar que se o que escrevo não é a realidade, parece-se bastante com ela. A maneira de viver das pessoas, e de se comportarem, que apresento nos meus livros parece-se muito com o que acontece ou com o que, da minha perspectiva, sinto que acontece em Cuba. Para isso, há duas coisas que me ajudam muito e que, para mim, são essenciais: uma é a prática do jornalismo, que continuo a fazer, com crónicas em diferentes jornais e agências noticiosas, algo que me obriga a estar constantemente a observar a realidade cubana; a outra coisa é o facto de viver num bairro muito popular de Havana [o bairro de Mantilla], onde nasci e onde nasceram o meu pai e o meu avô, no qual a interpretação da realidade é muito simples; não está sobrecarregada por condicionamentos políticos ou por perspectivas económicas extremas, porque não é um lugar onde viva gente com muitos recursos, mas também não é um lugar onde viva gente com muito poucos recursos. É um micro-mundo onde encontras o pulso mais aproximado do geral que pode existir na realidade cubana, e isso faz com que eu tenha uma visão muito próxima do que é mais comum na sociedade cubana.

Há pouco anunciou-se o retomar das relações entre Cuba e os Estados Unidos da América. Como vê essa mudança para Cuba e os cubanos?
Com muita esperança. Primeiro, foi uma surpresa, creio que para toda a gente. E vejo-o com muita esperança por várias razões. A primeira é que sinto que pode diminuir, e eventualmente até fazer desaparecer, uma tensão política que durante mais de 50 anos existiu entre Cuba e os EUA. Uma tensão que chegou a converter-se em parte da vida quotidiana das pessoas em Cuba, portanto, se houver uma relação, não digo próxima, mas pelo menos uma relação não-agressiva, já é um enorme ganho. Se, para além disso, houver melhorias económicas, tecnológicas, sociais, académicas, então vai ser uma enorme vitória para Cuba em todos estes sentidos. E no plano da cultura, Cuba sempre esteve próxima dos EUA, muitos elementos culturais são partilhados. A literatura norte-americana, por exemplo, teve sempre uma enorme importância na literatura cubana. A música, o baseball e várias outras coisas que partilhamos. Já agora, aproveito para contar que no passado domingo morreu Orestes Miñoso, um personagem deste livro – o herói de Daniel Kaminski morreu ontem [dia 1 de Março], em Chicago, com 92 anos. Enfim, creio que pode ser o início de uma relação civilizada e benéfica para os dois países, mas especialmente para Cuba, que é um pequeno país. Fica pendente o tema do embargo, que é um assunto muito pesado e muito real, e no momento em que isto se resolva pode ser que as coisas fluam de um modo muito mais dinâmico e melhor para toda a gente.

Hereges foi publicado em Cuba. Numa entrevista sobre o romance anterior, O Homem que Gostava de Cães, contou-me que a apresentação que foi marcada para a Feria del Libro de Habana teve algum boicote, com a hora a não ser divulgada e com a data a ser incorrectamente anunciada… Como foi recebido este último livro?
Acontece sempre alguma coisa, sim. Desta vez, o livro demorou muito a sair, era para ser publicado no Verão e só saiu em Fevereiro. Teve apresentações na União de Escritores e na Casa da Cultura do meu município, porque sempre me interessou fazer alguma coisa perto da minha casa, para que as pessoas do bairro possam aceder aos livros. Foram duas apresentações cheias de gente, apesar de haver quase nenhuma divulgação, coisa que costuma acontecer com as actividades em que participo. Começarão agora a surgir comentários sobre o livro, e talvez alguns sejam publicados, até porque muita gente já tinha lido a edição espanhola, publicada há mais de um ano, da qual circulam alguns livros, físicos e em edição pirata digital. As reacções que tenho por parte dos leitores cubanos são muito satisfatórias.

Esta talvez seja uma pergunta ingénua, mas queria perceber como funciona a questão da publicação dos seus livros. Sempre publicou sem problemas de maior, inclusive quando escreve coisas que, imagino, não serão muito bem recebidas pelo regime?

Os meus livros foram todos publicados em Cuba sem que nenhuma palavra tenha sido alterada. Já os meus artigos jornalísticos circulam em Cuba de modo alternativo, porque publico sobretudo numa agência chamada IPS, com o escritório cubano e com os escritórios centrais, em Roma, e também na Folha de São Paulo, para além de outros sítios. Escrevo sobretudo crónicas que circulam em Cuba por vias muito alternativas, nunca na imprensa oficial, mas as pessoas partilham-nas por email. E às vezes esses textos convertem-se em livros, depois de selecionados, e esses livros também se publicam sem alterações. Recentemente saíram dois volumes de crónicas, Entre Dos Siglos e La Memoria y el Olvido.

Mario Conde está a envelhecer. Quase se casou, já não aguenta o álcool e as noitadas como antigamente… Os leitores devem preocupar-se com o seu futuro? Vai voltar?
Têm de preocupar-se, porque o homem está a ficar velho! Mas acabo de começar um romance com Mario Conde, já com umas sessenta páginas, e parei porque preciso de fazer alguma investigação histórica. Esse livro começa com Mario Conde olhando para o almanaque do ano 2014 e vendo que vai fazer 60 anos, sentindo que já entra na sua quarta idade, porque com o que já fumou e bebeu, chegar aos oitenta seria uma vitória… Está muito preocupado com isso, mas continua a ser um observador muito perspicaz da realidade cubana. Neste romance haverá uma passagem de Mario Conde por um dos bairros emergentes de pessoas da zona oriental do país, que vêm viver para os arrabaldes de Havana em condições muito deploráveis, e há sempre este olhar social que, na medida em que passa o tempo, Conde sente de um modo mais visceral, cada vez sente que o afecta mais. A outra coisa importante que se está a passar com Mario Conde é que quase de certeza que, este ano, começa a rodagem de uma série de filmes com ele. Serão rodados em Havana, dirigidos por Félix Viscarret e com Jorge Perugorría, o actor que entrou em Morango e Chocolate, a interpretar Mario Conde. Estamos a acabar os guiões, eu e a minha mulher, para que a rodagem comece brevemente, e estamos muito expectantes para ver como fica esta passagem de Mario Conde das páginas dos livros para o ecrã do cinema.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Blimunda #34, Março 2015)

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