​O Mundo ao Contrário

atak

Atak
O Mundo ao Contrário
Planeta Tangerina

​O artista alemão Hans-Georg Baber, conhecido como Atak, tem uma obra extensa na área da ilustração, da banda desenhada e das artes gráficas. Neste livro, que há-de repousar na secção ‘infantil’ das livrarias, Atak tira partido do jogo dos contrários, invertendo situações do quotidiano, quadros do imaginário literário, cenas banais que se transformam em absurdas. Há um coelho que caça um caçador, uma inundação que obriga à intervenção do fogo dos bombeiros, uma série de veículos que circulam no meio ‘errado’. Com linhas fortes e saturadas de cor, as composições preenchem todo o espaço da página, acrescentando pequenos detalhes à cena central.

​À semelhança de outros livros seus, Atak pontua a composição visual com referências da cultura pop, cruzando tempos e símbolos aparentemente inconciliáveis. Em O Mundo ao Contrário, surge um avatar de Mickey, da Disney, numa estilização perfeitamente reconhecível, que atravessa as cenas pouco interessado no que o rodeia. A dada altura, uma das pranchas povoa-se de referências semelhantes (Darth Vader, Bart Simpson, Tintin, etc) numa das inversões que compõe o livro, apresentando os personagens com as cabeças e os corpos trocados. Nesse momento, torna-se claro que Mickey sempre esteve no corpo errado, e se isto não altera a sua postura, confirma aos leitores que cada prancha teve sempre mais uma inversão do que se esperava. É também aí que o Mickey estilizado se assume como personagem central, não apenas o deambulador, mas antes aquele que olha, da sua própria figura trocada, para as trocas e inversões do mundo. Abre-se, assim, uma nova leitura destas imagens, como se o mundo tivesse ficado do avesso a partir do momento em que a cabeça de um ícone supostamente intocável encontrou novo corpo. Sim, os leitores mais novos lerão este livro com interesse e proveito, mas está mais do que na altura de lermos imagens e composições visuais como elas exigem e não à luz do mercado.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na revista E/ Expresso, Agosto 2015)

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