Rota das Letras: cinco dias muito cheios

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Fotografia de Eduardo Martins

José Pacheco Pereira e Hu Ching-Fang abriram o Rota das Letras com uma conversa sobre cultura e sobre o modo como esta ainda faz – fará sempre – sentido na estruturação da nossa vida. Os livros, o exercício do pensamento, a relação entre o que somos e o que já fomos talvez não nos salvem da barbárie, mas não deixam de ser as ferramentas mais fiáveis para não nos aproximarmos demasiado dela. Com o tom definido por esta conversa, o festival tem prosseguido com um programa cheio, focado na literatura mas sabendo chamar outras formas de expressão à mesa, dando espaço ao público para participar nas sessões com os autores e, sobretudo, colocando em diálogo escritores que talvez não tivessem outra oportunidade de se encontrarem e partilharem dúvidas, estranhezas, pontos de encontro.

Ivo M. Ferreira apresentou o seu filme Cartas da Guerra ao público de Macau, numa sessão cheia e com bilhetes muito disputados, fazendo da escrita íntima de António Lobo Antunes nas cartas para a sua mulher, durante a Guerra Colonial, a matéria frágil com a qual se constrói um filme. Chan Koonchung falou sobre a sua escrita, nomeadamente sobre The Fat Years, e deixou algumas ideias sobre as mudanças profundas no tecido urbano de muitas cidades chinesas e sobre o modo como essas mudanças arrastam outras, mais estruturais e com reflexos na literatura contemporânea da China. Uma mesa com quatro autoras de diferentes origens, Macau, Hong Kong, Taiwan e Xangai, deixou claros os pontos de contacto geracionais no que aos temas literários diz respeito, mas igualmente as diferenças impostas pelo lugar onde se vive, e pelo modo como esse lugar se organiza e é governado. Já Chen Xiwo, autor de livros pouco recomendados pelo governo chinês, falou sobre a censura, os mecanismos de silenciamento e a dificuldade de lutar contra uma burocracia que tantas vezes não explica a aleatoriedade das suas escolhas. A ópera cantonesa de Foshan levou ao palco do Teatro D. Pedro V uma selecção de excertos de várias óperas, nomeadamente de O Pavilhão das Peónias, de Tang Xianzu, um dos autores celebrados nesta quinta edição do festival (a par com Camilo Pessanha). Num painel em português, Luiz Ruffato, Luís Patraquim e Daniel Pires falaram sobre as relações antigas entre literatura e jornalismo. E a par com tudo isto, os escritores têm visitado escolas e universidades de Macau diariamente, conversando com estudantes sobre a sua obra.

Sobre o festival e alguns dos seus momentos se escreverá em diferentes sítios, mais adiante. Por agora, podem ir lendo o que já se escreveu no Ponto Final, no Hoje Macau ou, em inglês, na belíssima revista on-line Mart Magazine, que acaba de chegar ao espaço cibernético.

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