Leituras: A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século

seculoAlan Moore e Kevin O'Neill
A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século
Devir
(tradução de Ana Raquel Santos e Paulo Salgado Moreira)

Depois da publicação dos dois primeiros volumes, em 2002 e 2003, a Devir apresenta agora o terceiro livro da sequência. Pelo meio, os autores publicaram The Black Dossier, miscelânea de textos, imagens e outro material disperso que se configura como peça essencial na leitura desta série.

‘Século’ retoma alguns dos personagens centrais dos episódios anteriores. Mina Murray, Allan Quatermain e Orlando chegam ao século XX carregando alguns restos de romantismo, para logo se depararem com a devastação anunciada. Acompanhando o ar do tempo, a narrativa acrescenta uma certa ideia apocalíptica ao tom mais jovial e aventureiro que marcava os volumes anteriores. As referências literárias persistem, até porque delas se alimenta a essência desta história, mas agora não são apenas pastiche bem feito de um conjunto peculiar de livros e imagens, parecendo-se mais com tábuas de salvação num mundo onde a informação se acumula, a tecnologia corre veloz e a natureza humana tira proveito dessa aceleração para o melhor e, sobretudo, o pior.

A luta contra um anti-cristo, linha chave desta narrativa, poderá soar pouco séria no contexto de uma banda desenhada que assume o gesto de reflectir sobre o mundo contemporâneo com firmeza crítica e argumentário sólido, mas importa lembrar que ‘Século’ continua a ser uma narrativa onde o género de aventuras, cruzado com a história, a ficção científica e o fantástico, é a matéria estrutural. Onde Moore e O’Neill brilham é precisamente na capacidade de trabalharem géneros com muita codificação sem cederem ao esperado e alcançando uma obra que reflecte seriamente um século que parece ter sido o início do fim de tantas ideias e instituições aparentemente inabaláveis. E isso mesmo se confirma com ‘Os Sicários da Lua’, a curta novela de ficção científica que acompanha os três episódios, assinada por Alan Moore com o pseudónimo de John Thomas.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na E/ Expresso, Agosto 2016)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s