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Da retórica dos textos

«recado»
Al Berto

Antes do texto

Todos os livros que lemos têm uma história. De todos, há as histórias insignificantes e as outras, que por alguma razão recuperamos para a nossa biografia de leitor.
O Horto de Incêndio, de Al Berto (Assírio e Alvim), terá sido um desses casos especiais. Foi uma daquelas ofertas de risco, de alguém longe destas andanças da leitura nos idos de 1997. Foi o meu primeiro contacto com a obra.
A minha relação com ela será um efeito da sua própria intenção, segundo a minha leitura. Dois movimentos antagónicos: uma voragem de conhecimento e de leitura, que é travada e absorvida pelo recentramento em poemas que voltam, e voltam mais íntimos.
«recado» (que abre o Horto de incêndio) é o expoente máximo da minha experiência de leitura. De 1997 até hoje já escrevi sobre ele, já o analisei academicamente, já o li e reli. Já quase desgostei, já esqueci, já reencontrei. Já reconheci.Al Berto não foi para mim um poeta da adolescência, nem tão pouco representou liberdade ou libertação. Não o vejo só assim, e ainda bem, que tal rótulo se cola redutoramente ao discurso, inibindo o trabalho meritório da palavra que é em suma o fazer poético.

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