Abril 27, 2009...9:38 AM

Ainda a censura a João Ubaldo Ribeiro

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A edição do Expresso do dia 25 de Abril de 2009 traz uma chamada de capa para a notícia de que A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro, voltou a ser censurado pelo grupo Auchan. Primeiro foi a edição da Dom Quixote, há dez anos atrás, e agora volta a acontecer tudo com a reedição das Edições Nelson de Matos. O senhor responsável pelas compras do grupo de supermercados, de seu nome Fernando Fernandes, disse ao Expresso que “era uma falta de chá” questioná-lo sobre o tema e a agência de comunicação que representa a empresa esclareceu que o grupo “não vende produtos do foro pornográfico” e que “o referido livro, em virtude da sua linguagem, enquadra-se neste conjunto de artigos”. Já Nelson de Matos, que era editor da Dom Quixote na altura em que a primeira edição do livro foi publicada, diz que em 20 anos de carreira como editor, nunca teve um episódio como este, acontecido há dez anos e agora repetido. E diz mais: “Isto é uma vergonha para nós, portugueses, e uma deselegância das relações culturais entre Portugal e o Brasil. Um júri de conceituados intelectuais portugueses e brasileiros deu ao autor o Prémio Camões, da nossa língua”. Pelos vistos, basta uma cadeia de supermercados para nos lembrar da pequenez intelectual dos que decidem o que devemos ou não conhecer.

12 Comentários

  • seria cómico se não fosse quase trágico. um falso pudor que exala um odor bafiento a cruzada.

  • É esta a nova censura!
    Pode-se falar, dizer e escrever livremente, mas depois, não se chega ás pessoas por conveniência de alguns. Esses alguns dominam o poder politco através do poder económico e vice-versa. Depois é isto que se vê.

  • Ermelinda Rodrigues

    O grupo Auchan não é o único vendedor de livros!!! Logo podem dirirgir-se para o pequeno comércio onde não existe censura (LIVRARIAS). Distribuam-se as riquezas E se queremos ser respeitados aprendamos a respeitar o pensamento de cada um.
    VIVA 0 25 de Abril de 1974 que nos deu a LIBERDADE de ter uma opinião diferente dos “grandes senhores” e Jornalistas.

  • Gente medrosa. Não há nada a fazer. Preferem fazer coisas às escondidas para que não se pense mal deles.

  • QUAL CENSURA???

    Qual é o problema se um supermercado decide não comercializar um livro? Não existem mais postos de venda à disposição dos leitores? (todas as livrarias e outros supermercados?)
    Onde é que está a censura?
    Será que eu sou obrigado a colocar à venda no meu estabelecimento um artigo que não desejo, só porque é o sr, Ubaldo, prémio Camões?

  • NELSON DE MATOS

    Repito o meu e-mail, dado ter tido indicação que cometi um erro.
    Cumprimentos
    NM

  • cadeiraovoltaire

    Caro Nelson de Matos,

    fiquei sem perceber se me enviou um mail, ou se enviou um comentário anterior que deu erro… Até agora, não recebi nenhum mail seu no e-mail deste blog. Mas vou estar atenta.

    Cumprimentos,
    Sara

  • Pessoalmente fiquei um pouco chocado com o histerismo do editor e do autor, a meter o nome de ‘Portugal’ e dos ‘Portugueses’ ao barulho, a gritar ‘Censura!’.

    Uma empresa escolheu não comercializar um livro. É uma decisão tomada diariamente, talvez não de forma tão aberta. Não é uma empresa com grande quota de mercado, está sozinha no fenómeno, e no entanto alguém achou apropriado fazer este alarido.

    Se eu tivesse uma livraria recusar-me-ia a vender alguns livros, porque os considero plagiados, porque me ofendem pessoalmente. É uma decisão comum e banal. Não agrada, mas é real.

    O Grupo Auchan não tentou que o livro fosse retirado do mercado, não revelou uma tendência de selecção retirando todos os livros sobre sexualidade, por exemplo. Simplesmente não o escolheu para si.

    Chama-se democracia. Porque é que isso assusta tanta gente?

    Temos liberdade de comprar noutro lado.

    Fiquei chocado com o histerismo do editor e autor. Viveram durante a ditadura no Brasil e em Portugal, sabem que a verdadeira censura é algo bem mais insidioso e violento do que isto.

    Esperava mais bom senso em vez de um golpe publicitário.

  • Olá, Sara, boa noite.
    Quis de facto acrescentar um comentário, um pequeno comentário de esclarecimento, mas cometi um erro qualquer ao enviá-lo; em vez disso apagou-se, perdeu-se.
    O que queria dizer é que não há duas Censuras, nunca houve que me lembre eu. Por um lado, uma Censura levezinha, branda, tolerável, que a gente até admite quando está bem disposto. Por outro, uma Censura pesada, intolerável, que magoa, faz doer.
    Não. Só há uma Censura, pesada ou branda tem sempre um só significado, e esse significado denota o mesmo tipo de mentalidade, a mesma filosofia, os mesmos princípios de comportamento. Num caso como este, o acto de impedir a livre circulação de um texto literário, é sempre um acto inconstitucional e abjecto de censura. Não há tolerância que lhe possa valer. Ainda mais se praticado sobre o trabalho de um grande escritor da nossa língua.
    Obrigado pelo acolhimento neste espaço.

  • cadeiraovoltaire

    Não podia estar mais de acordo. E aproveito para recomendar a leitura da crónica de Pedro Mexia, no Público do último sábado, a propósito disso mesmo.

  • Pessoalmente, choca-me que alguém equipare a Censura de Estado, que proíbe um texto, o queima em praça pública, persegue o autor, e a censura de uma empresa em democracia que faz a escolha, errada ou não, de não vender um livro.

    Choca-me porque se não se é capaz de ver a diferença, como o diz Nelson de Matos e concorda a autora do blog, então não se sabe qual é a diferença entre democracia e ditadura. E se não se conhece essa diferença, não se consegue defender a democracia.

    Não deixa de ser também interessante, que esta mesma opinião, que penso expressei de forma razoável, tenha sido repetidamente censurada no blog do Nelson de Matos.

  • Este Ubaldo representa a inversão generalizada que predomina nos meios que se dizem intelectuais daqui e de fora.
    As pessoas confundem facilidade de expressão com facilidade de entendimento ou , equilibrio . Tudo que êle escreve está carregado de uma mágoa e de uma incompreensão gigante .
    É o eco de sua voz interior .
    Êle vive até hoje na insegurança de sua infancia.
    O que se esperar dele e de sua escrita senão a disseminação de um mal estar fantasiado de primor vaidoso?
    Quem o lê não percebe isso , está dissimulado , é claro , e se assim não fosse , como êle conseguiria viver da venda de seus livros , sem ter que trabalhar ?


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